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Centelhas de Luz - Destaque pra vocês!

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quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Empresas e População

Antes de me deitar esta noite passada, parei diante da TV onde passava no horário comercial uma campanha que une várias empresas no Brasil. Estas empresas decidiram baixar seus preços, atendendo melhor as possibilidades de seus clientes, afirmando em seu discurso que esta iniciativa é em prol ao cliente, ao brasileiro.

Fiquei emocionada porque entre todas as minhas opiniões, acredito que o poder do povo e a colaboração das empresas podem mudar a situação de nosso país melhor do que qualquer político poderia fazer. O raciocínio é lógico: sou grato ao meu cliente pois, graças a ele sou uma empresa confiável/ sou grata a esta empresa que me fornece o que necessito porque além de confiável se dedica não apenas em obter lucros como também fazer chegar até mim o melhor que preciso.

Parece utopia quando se fala em empresas: empresas e seus executivos insensíveis sedentos por mais e mais dinheiro... Bem... Já morei em um país de primeiro mundo e sim: em um país de primeiro mundo este pensamento e a relação empresa e cliente é uma realidade.

A realidade atual do mundo é outra: sem apoio mútuo a tendência é tudo piorar em qualquer lugar do planeta! Somos seres humanos: nascidos para viver em bando, nascidos com a necessidade de apoio mútuo porque ninguém é auto suficiente, nascidos para se completar auxiliando o outro! Esta é nossa real natureza!

Eu sempre digo para as pessoas que conheço que, já que fazem suas preces para alcançarem seus objetivos profissionais, façam também suas preces para fortalecer cada vez mais seus patrões e chefes. Se o líder de sua empresa for bem sucedido, o empregado também será! Mas, a resposta que ouço é: "Meu chefe nem sabe que existo e não está preocupado com meu bem estar mas, apenas com seus lucros!". Aqui no Brasil está é uma verdade...

Assistindo a propaganda de uma empresa, vi isto com clareza... A propaganda diz que a empresa trabalha todos os dias para que seus clientes tenham sempre o melhor mas, seus produtos são os mais caros do mercado - inascessíveis para a maioria do povo brasileiro que opta sempre pelo mais barato mesmo sendo de qualidade inferior - e não se empenha tanto assim para os próprios empregados...

É utopia acreditar que quando os executivos de uma empresa se reunem eles discutem a real necessidade de seus clientes ainda mais em nosso país onde todo tipo de assunto e realidade é exposta 24 horas por dia tornando a reação popular cada vez mais impossível... A corrupção criou um efeito dominó que vai contaminando tudo, inclusive na crença de que alguém esteja realmente preocupado com as necessidades do povo. Mas, sonhar é gratuito, ainda mais quando o sonho é possível!

Sem empresa não há produtos mas, sem clientes não há empresa! Uma empresa não é a diretoria, são os funcionários! Funcionários são cidadãos e ciadãos votam e contribuem na sociedade! Cidadãos são os pais e mães de família e família é o núcleo da sociedade: se as famílias estiverem bem, a sociedade também estará!

Neste momento vergonhoso da política brasileira, não há outra solução: empresas e população precisam arregaçar as mangas e agir sem esperar pela vontade política ou nosso país irá sucumbir!


Leia também: ==> Bilionário brasileiro doa 60% de sua fortuna para causas sociais

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Propague o Bem!

propagação
substantivo feminino
1.
ato ou efeito de espalhar(-se); difusão, disseminação.
"p. de espécies vegetais"
2.
aumento por meio da reprodução; proliferação.
"p. de espécies ameaçadas de extinção"


Observo as redes sociais e é inevitável deparar-me com tantos propagadores cujas mensagens que proliferam nem sempre são agradáveis. Quem dirá os discursos de indignação com a atual situação política e financeira do país ou com as injustiças e violências cometidas em todo lugar no mundo.  Considero propagação do Mal quando tudo isso são apenas palavras... É como as imagens terríveis de pessoas deformadas, doentes em hospitais ou vítimas de violência com alguém pedindo o seu "Amém!". O "Amém" ou "Assim Seja" é uma concordância: você está concordando com aquela imagem! E como tem gente que gosta de digitar um amém... Não sabem o que isto pode significar no plano metafísico, saberão o que resulta esta onda de dissabores expressados, lidos e compartilhados internet à fora?

Quando usa-se a expressão "onda" de violência não é acaso: já observou os movimentos das ondas? Um vai e vem contínuo... A violência está presente desde o princípio da civilização mas, a informação nunca foi tão ágil: em outros tempos a notícia dependendia de longas caminhadas à pé, à cavalo ou atravessando os mares em navios. Hoje tudo está muito explicíto com a informação! Por isto a sensação de que a violência e o crime proliferam e predominam!

Infelizmente, o ser humano é predisposto a esquecer de sua própria história e suas origens, quem dirá então da História da Humanidade? Poucos séculos atrás o poder impunha sua autoridade através do medo, a violência e a carneficina eram diárias através de invasões a vilas e cidades, a morte e o sangue encharcavam a terra diariamente deixando por todo lado o odor de podridão. Doenças dizimavam aos milhares, pessoas eram injustiçadas e exploradas em todo lugar e não havia como livrarem-se de tiranos! Muitas vidas foram levadas ao longo dos séculos para que hoje vivessemos o privilégio de poder programar como será nosso dia amanhã: antes, não se sabia se a fome permitiria que alguém acordasse e vivo!

Podemos escolher! Escolher o que ser, quem ser, onde ir, o que comer, onde comprar e o que comprar, expressar opinião, nos rebelarmos, nos indignarmos, ajudar ou esconder a mão! Hoje somos livres!

As palavras tem poder: são vibrações que emanamos! O Universo é um corpo gigantesco imenso vivo! Não importa que seus pensamentos não sejam materializados em ações mas,  se você fala da maldade, você pensa na maldade e se você pensa, você sente e se sente, atrai mais maldade! Sua boca sempre irá confessar o que sua mente e seu coração estiver fluindo, estiver focando!

Nos basta as mídias de todo mundo vender maldade e lucrar com maldade: nosso cotidiano é tão feito de Mal assim? Há tanta maldade em seu dia-a-dia para se falar tanto em maldade? Há tanto Bem acontecendo no mundo neste exato momento, por que é tão difícil propagar a bondade e o Bem? Sua própria história, meu amigo leitor, é tão rica de vitórias, superação e conquistas! Só sua vida possuí tanto Bem para contar, quem dirá o Bem que acontece neste mundo todo?

Por favor... Não julgue você mesmo e sua realidade pessoal com base na sua atual situação: você chegou até aqui, até este dia, até este momento então, você é um vencedor! Um bem sucedido vivente não apenas mais um sobrevivente! Não julgue o mundo pelo difícil momento que nosso país atravessa nem o julgue pelo que a mídia noticia: a mídia é uma fabrica lucrativa!

Propagar o Bem, buscar por notícias que falem do Bem não é fechar os olhos para a realidade, muito menos para as injustiças deste mundo... É um modo de contagiar as pessoas com o Bem e torná-lo um poder dominante neste mundo: O Bem sempre vencerá o Mal mas, há que saiba disto e fará com que só o Mal chegue até você! 

É através do Mal que muitas pessoas pisam em outras para alcançar o topo. É através do Mal que muitos roubam de todas as formas de outro! É através do Mal que o Mal continua evidente! Seja Bem! Fale sobre o Bem se é que você acredita mesmo nele: confessa-se o que se acredita!

Não adianta mantermos nosso egoísmo e nosso foco em nossos interesses próprios, jogando a responsabilidade das mudanças que o mundo necessita nos governantes, políticos e poderes diversos: o povo do mundo já provou ser capaz de mover o mundo inteiro se apenas se unir em prol um dos outros!

Vamos nos unir, derrubando os muros do preconceito, das diferenças, das classificações e rótulos! Vamos nos despir do que acreditamos ser para sermos o que de fato somos: seres humanos! 




Desde os 6 anos ela cultiva horta em casa para alimentar moradores de rua



Hailey Fort, 9 anos, é dessas crianças que são educadas para pensar sempre nas necessidades dos mais desfavorecidos. Pequena no tamanho, gigante no seu desejo de mudar o mundo para melhor.


A frase de abertura do seu site é “Nós existimos para ajudar aqueles que precisam!”. Desde os 6 anos, a “brincadeira” preferida da menina é cultivar uma horta em casa para alimentar moradores em situação de rua.

No início, a plantação tinha apenas alguns pezinhos de tomate, pepino e blueberry. Mas, hoje, ela já produz mais de 100 kg de comida por ano que alimenta quem mais precisa.

Hailey não apenas cultiva como também entrega os alimentos aos moradores em situação de rua para conhecer sua história e necessidades (cobertores, escovas de dente e roupas, entre outros itens que a menina tenta arrecadar através de doações).

Mas, a pequena não acha suficiente o trabalho que faz. Ela quer ajudar mais pessoas! Por isso Hailey criou uma campanha no site de financiamento coletivo GoFundMe para arrecadar dinheiro e triplicar a produção da sua horta. Em pouco tempo, o projeto Hailey’s Harvest (Colheita da Hailey) arrecadou US$ 41 mil, superando as expectativas da menina.






Veja mais na Fonte abaixo

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

As crianças estão dizendo o que os adultos deveriam saber...

 Tiana tem 6 anos, mora com sua mãe solteira e da ultima vez que o pai a visitou, eles brigaram. Cansada, ela resolveu ter uma conversa séria com a mãe.



quinta-feira, 24 de julho de 2014

Irrelevância do Brasil



É relevante o desprezo por qualquer pronunciamento de qualquer um dos políticos brasileiros pela fama internacional que possuem de corruptos. Mas, o Brasil não são os políticos. Os políticos são apenas servidores públicos. O Brasil é o povo que tem, que forma a nação e que com braço forte, coragem e muito suor, é o verdadeiro responsável pelo crescimento de nosso país.

E o Brasil como povo pode falar melhor do que nossos repetitivos e nada surpreendentes políticos. O Brasil é feito de nativos da terra (os índios), de descendentes de escravos (sequestrados de seu país de origem), e de imigrantes de toda parte do mundo que encontraram aqui um refúgio da guerra.

Inventaram uma ideia de que o povo brasileiro não tem identidade e é ledo engano. Nós somos o berço da miscigenação! Cada um que nasce e vive em um país recebe a nacionalidade do país onde nasceu e vive. Nossa nacionalidade é brasileira mas nossa identidade pode ser chamada de mundial ou até mesmo universal: nosso DNA é feito com todos os DNAs do planeta!

Há aqueles que são 100% nativos mas, eu imagino que vieram também de outro lugar porque ninguém aparece do nada! Há aqueles que são 30% nativos e 50% africanos. Há aqueles que são 50% africanos e 50% qualquer outra raça do mundo como há quem - como eu - é 50% nativa e 50% japonesa.

Este nosso DNA único e especial é o responsável pela personalidade única e especial do nosso povo tão diversificado. E este DNA possuí os registros hereditários do terror da guerra. A violência está presente em nosso país porque nossos administradores são péssimos mas o povo brasileiro, detesta violência! Não importa quantas gerações surjam descendendo de qualquer raça deste mundo, todos herdarão a aversão da guerra pois, foi por causa da guerra que nossos pais e avós tiveram que deixar a terra natal deles. Este chão exige respeito pois, este chão os recebeu e permitiu que aqui eles recomeçassem suas vidas sem temer a guerra.

Na cidade de São Paulo - onde nasci, vivo e provavelmente serei sepultada - está concentrada uma variedade enorme de imigrantes e muitos deles convivem pacificamente pois, o trabalho deles os unem em um mesmo bairro ou em uma mesma rua. Aqui, imigrantes de todo o mundo são vizinhos. E pra não parecer que apenas moradores e comerciantes imigrantes são 'obrigados' a conviver ou, para não deixar espaço para a ideia de que o que falo é apenas conhecendo de ouvir falar, falarei do meu bairro onde comprovei o que digo de vivenciar.

Minha família é uma das tantas famílias de imigrantes e migrantes que começaram nosso bairro. Muitos deles começaram os primeiros comércios onde hoje se encontra o centro comercial do bairro que não para de crescer. Portugueses, libaneses, árabes, turcos, alemães, poloneses, japoneses, italianos, espanhóis, chineses, chilenos  conviviam com seus clientes como se fossem vizinhos e eram mesmo. Seus filhos começaram a estudar na escola do bairro onde os filhos de todos os outros moradores também estudavam. Não havia diferença entre o filho dos imigrantes e os filhos dos migrantes. Todos estavam buscando por uma vida melhor. Todos queriam recomeçar de novo. Eu nunca - NUNCA - em toda minha vida, vi nenhum deles entrar em qualquer atrito por causa de religião ou cultura, muito menos por causa da raça.

Eu nasci e cresci em um lugar onde pessoas de religião, raça e cultura completamente diferentes  convivia e convive pacificamente. Os melhores amigos de meu pai eram portugueses. Minha mãe, filha de japoneses tinha uma libanesa como cliente. Meu marido descende de alemães e italianos. Eu descendo de índios e japoneses. Entre meus vizinhos, amigos e parentes há alguma mistura com alguma outra raça do planeta...

O Brasil - o povo brasileiro - pede ao mundo que parem as guerras. Porque a maioria de nos cresceu aprendendo que é possível uma nação viver em paz com a diversidade de raça e cultura. Como em qualquer outro lugar do mundo temos os fanáticos e extremistas, que não possuem poder algum para impedir que continue assim. Já não basta a cada país os problemas que precisam enfrentar para cuidar e manter seus povos?

Nossa relevância está em nosso DNA. Na dádiva de sermos um pouco de todos os lugares deste mundo com todas as diferenças. Somos tão relevantes que aqui, judeus e árabes tomam um café juntos... Enganam-se quem pensa que somos sub desenvolvidos, pobres e primitivos! Nossa riqueza está bem descrita acima!


Licença Creative Commons
Irrelevância do Brasil de Shimada Coelho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Salve a Humanidade!

Gostaria de aproveitar este momento único de nossa existência como cidadãos brasileiros mas lembrar que antes disto somos seres humanos!

Percebe este sentimento de indignação que te toma e te leva às ruas para protestar pelos seus direitos que vão além de direitos básicos de cidadãos: como ser humano você merece ser tratado como tal.

Se todos os seres vivos que habitam este planeta antes de nós pudesse fazer o mesmo, quem seria o inimigo a ser derrubado? Contra quem iriam protestar?

O planeta não está morrendo... Ele está entrando em um período de auto reciclágem. Ele sofrerá mudanças extremas que irão alterar todo o meio ambiente! O planeta morreu e reviveu várias vezes... E nós, com nosso modo de vida prático, não seremos capazes de nos adaptarmos a estas mudanças!

A raça humana está morrendo! E quando ainda há em ti de humanidade?
Enquanto protestamos o direito de sermos humanos, como retribuímos a hospitalidade deste planeta?

Os animais e a Natureza estão aqui muito antes de nós! E fazemos com eles o mesmo que fazemos com nossos índios! Para que possamos viver bem, distruímos a terra que é deles!

Somos apenas hóspedes: estamos neste mundo apenas de passagem. O que faria você se um hóspede depredasse sua casa e ainda o expulsasse dela em troca de sua hospitalidade?

Neste momento, somos mais que cidadãos de nosso país: estamos despertando para o resgate da humanidade em nós!

Quando você contribuí para a manutenção do planeta, na verdade, está preservando a continuidade da existência da Raça Humana!



Texto do vídeo:

"Humanos! Que incrível palavra!
Somos considerados a espécie mais inteligente do planeta, porem, somos a pior... 
Que fazemos neste mundo? Quem nos trouxe aqui? Qual é a nossa missão no planeta? Talvez nunca vamos entender. Ainda quando parece que nossa unica missão é acabar lentamente com ele e suas espécies... 

Alguma vez você pensou, que talvez este planeta não nos pertence? Ainda assim nosso cuidado está em nossas mãos. Eles estão aqui muito antes que nós. Apenas somos seus convidados, viemos invadir seu território e estamos destruindo seus lares. Nos suportaram por séculos, nos perdoaram incontáveis vezes, mas seguimos ignorando sua situação. Temos sido seus sequestradores, seus assassinos, no entanto... nos aceita como seus donos. 

Somos a unica espécie que ataca, destrói, aniquila, contamina e estingue por ambição, ou somente para viver um pouco melhor. 

O mundo é seu, é nosso, é de todos nós, no entanto, lembra que também é mundo deles, e temos que entender que não podem fazer nada a respeito para se salvarem, e muito menos para salvar o planeta. 

O planeta terra esta morrendo, estamos destruindo de forma vertiginosa, e ele está faminto de amor, não lhe resta muita força e apesar de tudo, segue nos presenteando generosamente os melhores espetáculos desde que chegamos a ele.

 O planeta tem sido o melhor anfitrião de nossa espécie. Por acaso não merece um reconhecimento? Se nos foi dada a capacidade de falar, pensar, criar, construir e ajudar... Porque só calamos, ignoramos, destruímos e matamos? 

Abra os olhos, você também está morrendo, junto com teu planeta, o único planeta em nosso sistema solar, onde nos foi dado o privilégio de viver. Somos bilhões de pessoas neste planeta, somos uma raça pensante, racional, dominante. Por que não nos damos conta disso? 

Somos capazes de conquistar países, a lua  e inclusive planetas, no entanto, não somos capazes de conquistar nossos próprios corações! Toca seu coração, sente o que ele quer te dizer, escuta o que pede a grito e entendamos que devemos coexistir no mesmo planeta. Comece mudando a si mesmo, proponha-se, faça com que seus filhos saibam e entendam e que lembremos dos mais velhos... 

Para que o dia que a humanidade deixar de existir e alguma outra especie encontre nosso planeta, veja que fomos uma espécie que se equivocou, que caiu, mas se levantou e consertou seus erros!

O planeta já não é o mesmo e já não podemos esperar mais... Todos sabemos o que temos que fazer, o tempo corre, o futuro do planeta esta em suas mãos, ajude-o, ajude-nos, porque o planeta Terra é você."

sábado, 25 de agosto de 2012

Assistam por favor!

Nota: a maioria das pessoas exibidas no vídeo são exploradas ao mesmo tempo que são - e não tem consciência disto - a alavanca forte que impulsionam um país. Essa maioria é quem de fato possuí o PODER!


quarta-feira, 27 de junho de 2012

Menina Brenda salva por Alex!

Não temos o hábito de narrar detalhes sobre em que circunstâncias os desaparecidos aqui são encontrados pois, muitas das vezes, o final das buscas não resultam em boas notícias. Muitos desaparecidos são encontrados mortos, ou com sinais visíveis de violência ou ainda, nunca são encontrados.


Mas o caso da menina Brenda - divulgado aqui - que desapareceu na entrada do templo de uma igreja nos chama a atenção e é comovente. Enquanto desaparecida a mãe, incansavelmente, saiu pelas ruas colando onde podia cartazes impressos na esperança de que sua filha fosse encontrada. Os telejornais focaram-se no caso e uma corrente via internet repassava o caso. 


Muitas vezes, passa pela cabeça de qualquer um que o desfecho seja trágico... Vemos todos os dias a realidade de nossa sociedade afundando-se cada vez mais na violência, tornando-nos vítimas, prisioneiros em nossos próprios lares e indivíduos privados do direito Constitucional de ir e vir... Talvez, muitos de nós chegou a pensar que a menina jamais fosse encontrada com vida...


A mãe orava o tempo todo, confiando que Deus protegeria sua filha. Em momento algum atribuiu ao Deus em que acredita a culpa pelo desaparecimento, ao contrário, manteve-se firme em sua crença. Não é que Deus não ouça as outras famílias para não protegê-las de um final trágico... E que nesta história, além de uma mãe que rogava a Deus um final feliz havia um rapaz que acreditava na mesma coisa. Duas pessoas com vidas completamente diferentes e que movem-se na mesma fé.  Quero dizer com este detalhe que isto comprova o que sempre dizemos aqui: somos todos parte de uma mesma corrente! Tal qual o mal o bem é contagiante e ele pode seguir por toda a corrente permitindo que o milagre do amor aconteça.


Mas o que nos chama mais atenção é a  história de vida do rapaz que salvou a pequena Brenda. Ainda com 17 anos, nunca conheceu o pai e perdeu sua mãe quando tinha apenas 12 anos. Sobreviveu na infância com a ajuda dos vizinhos. Esteve exposto a todo tipo de armadilha que pudesse levá-lo à marginalidade e sempre se recusou a seguir este caminho.


Enquanto muitos jovens carentes aproveitam-se da sua condição de menor de idade para praticar crimes impunemente, este rapaz procurou trabalhar e sonha em ser bombeiro! 


Chamo-lhes a atenção para a triste constatação de que a maldade é uma questão de falta de caráter! Pois, se muitos doutores pensam que ambientes familiares, pais incapazes e pobreza são os únicos causadores de famílias gerarem marginais, se enganam. A mãe do rapaz Alex morreu por ser alcoólatra e fumar demais... Imagina-se como era a realidade em que vivia e hoje ele poderia estar numa vida de crimes se justificando  através de uma infância tão cheia de sofrimento. O que pensar agora? Nasce-se com caráter? Talvez o jovem herói ao menos tenha experimentando o que é ter uma família feliz antes que as desgraças atravessassem seu caminho... Nos cinco primeiros anos de vida, plantaram-lhe na alma as sementes virtuosas do bom caráter...


Talvez, quando os meios de comunicação pararem de sugerir através de profissionais do comportamento justificativas para que menores pratiquem crimes tão violentos,  os jovens voltem para as escolas e se formem bons profissionais. Quem sabe as famílias não formarão melhores cidadãos?  Talvez, quando as leis mudarem e for entendido que um menor que pode dirigir um veículo e votar sabe o que faz e portanto, pode pagar por seus crimes! Talvez o que o rapaz nos conte não seja tão extraordinário assim...


Talvez, alguém compreenda de uma vez por todas que a única desculpa que existe para se viver bem ou mal é apenas uma: escolher o caminho a seguir!


Reproduzimos aqui abaixo um artigo do site Meio Norte sobre Alex que  trás a nós a esperança de que a Humanidade não está tão perdida assim...



Orfão, jovem que salvou garota Brenda, sonha em ser bombeiro

Alex Ramos encontrou garota Brenda Gabriela da Silva, 4, que tinha sido sequestrada.


27-06-2012 10:41
Um golpe do acaso fez com que Brenda Gabriela da Silva, 4, fosse encontrada. Ela havia se perdido da mãe, Geisa Maria da Silva, 31, num culto da igreja Deus é Amor, em São Paulo, em meio a uma multidão.
Orfão, jovem que salvou garota Brenda, sonha em ser bombeiro
Na segunda-feira, Alex Ramos Carvalho, vizinho da família na Mooca, viu Brenda no colo de um desconhecido. Ela apontou o dedo para Alex, que logo a reconheceu.
Alex Ramos de Carvalho,17 que encontrou garota Brenda Gabriela da Silva, 4, que tinha sido sequestrada

Leia o depoimento do jovem::
"Tenho 17 anos, sou órfão, analfabeto e trabalho como repositor de estoque numa bomboniere. É meu segundo emprego. O primeiro foi de camelô, na 25 de março. Mas cansei de correr do "rapa" (batidas policiais).
Conheço Brenda desde que nasceu. É que somos vizinhos. Meu padrasto, que é pintor, foi à Bahia. Minha mãe, empregada doméstica, morreu quando eu tinha 12. Meu pai nem sei quem é.
No fim de semana estive em Aparecida, com amigos. Fizemos uma corrente na sala dos milagres para essa menina. Levei até uma foto.
Às vezes, toco bateria na igreja, mas não sou religioso.
Estava conversando com minha patroa sobre a viagem quando olhei pra rua e vi a Brenda apontando o dedo pra mim. Magra, suja, de touca e com o cabelo recortado.
Foi um milagre, era para eu estar no depósito. Aí até brinquei: "Essa é a menina que sumiu". A patroa falou: "Não é ela não". Daí, pedi permissão e saí.
Fui correndo e encontrei os dois parados na lanchonete ao lado, pedindo comida. Nervoso, falei alto: "Essa menina você roubou". O desconhecido, que parecia um morador de rua, respondeu: "Não, é minha filha, vou buscar o RG dela na carroça".
Daí, de repente, ele saiu correndo. Agarrei a menina para ele não levar.
Quando ele foi embora, ela começou a chorar, acho que com medo de ficar sozinha. O pessoal saiu atrás, mas não conseguiu pegá-lo. Uma mulher acalmou a menina.
O PM veio e pegou meu RG. Falei: "E agora? E se não for a menina?" Perguntamos seu nome e ela respondeu.
Mas foi pela TV que eu soube que era ela mesmo, quando o PM apareceu dando entrevista. Meu patrão comentou: "Você a achou, mas olha quem está recebendo saudação". E o pior, dizia que a achou numa outra rua.
Fui à delegacia e falei que o rapaz estava mentindo. Quando o encontrei, ele disse que já tinha falado tudo e não precisava de mais nada.
Mas o circuito de câmeras da loja registrou a cena inicial, e quando mostrei ao delegado, começou a confusão toda de novo. Assinei um boletim de ocorrência. (Questionado pela Folha, o delegado Paulo Cesar de Freitas, do 6º DP, no Cambuci, diz desconhecer a confusão.)
É claro que me senti um herói. Mas por várias vezes já chamei ambulância para ajudar, quando vi acidente na rua. Meu sonho era ser bombeiro, mas vai ser difícil.
Às vezes, fico pensando na vida, vem tudo, o serviço, minha mãe, esse negócio da alfabetização, caramba, tudo numa pessoa só, foda.
Para mim tudo continua na mesma. Quem agora precisa se salvar sou eu."


Fonte: Meio Norte

sábado, 10 de março de 2012

Crianças Invisíveis - DIGA AO MUNDO QUE VOCÊ SABE E VÊ!


Será que algo assim não está acontecendo onde vivemos?


A campanha Kony 2012 mobiliza a população mundial para pressionar o governo dos EUA e seus aliados a continuarem caçando até a captura e julgamento de Joseph Kony que sequestra criança para formar seu exército que tem como único objetivo manter seu próprio poder!


Kony não luta por uma causa específica: apenas quer continuar mandando! Os meninos são armados e obrigados a assassinarem até seus pais e as meninas são obrigadas a se transformarem em escravas sexuais! Há 20 anos isto está acontecendo e ninguém sabia de nada! 


O governo dos EUA por 8 longos anos não apoiou está campanha por não haver interesses políticos ou ameaças ao povo americano que os fizessem agir! Só agora com a mobilização mundial é que há uma chance para milhares de crianças na Uganda!


AS CRIANÇAS DE UGANDA ESTÃO PEDINDO SOCORRO E VOCÊ PODE AJUDAR!


Isto não é uma ação política! É a ação da nação humana!


Cadastre seu email dizendo que você apoia está luta!
http://www.kony2012.com/


Pegue seu kit, imprima e espalhe por ai:
http://www.kony2012.com/get_the_kit.html


Assista o vídeo com bastante atenção, veja como você pode ajudar: é simples!








Não pense que o problema não é seu, que seu país ou cidade já tem problemas demais! O que uma cidade sofre é consequência do que um país sofre! Isso se reflete no mundo inteiro pois os mesmos problemas são encontrados no mundo todo!


Está é uma grande guerra onde o mundo inteiro está se mobilizando! Se você se unir e acabar com ela, poderá acabar com outras menores! Acredite: está união está deixando os políticos do mundo inteiro preoccupados! Já não podem mais continuar manipulando os povos!




O único meio de mudarmos os rumos da história da civilização humana é a mobilização! Em sua cidade, estado ou país é apenas o começo: o mundo inteiro pode ser melhor! O futuro poderá ser um lugar melhor para nossos filhos e suas futuras gerações!

A Tecnologia, as Ciências e as Políticas crescem constantemente, mas o ser humano tem regredido pois está é a intenção: tornar sua vida confirtável o bastante para que você foque sua visão apenas em sua própria vida e acredite que o mundo inteiro está bom, pois você está bem! 


A cultura do individualismo é uma tática que funciona bem mantendo o maior número de pessoas possível condicionadas a uma ilusão de que estando bem para si mesmo, tudo está bem!




Algo novo precisava acontecer para que a população humana acordasse para o fato de que - não importa em que ponto do planeta esteja - o poder É DO POVO! Somente o povo unindo-se em um só clamor pode mudar o mundo!


Não basta esperar que os políticos de onde você vive faça algo: estão lá para fazer! Nós - O POVO - temos a obrigação de pressioná-los a fazer!


Esta campanha tem como objetivo capturar e julgar um criminoso contra a Humanidade, número um na lista internacional! Pode ser que você não pude a realidade na sua cidade ou estado, mas com esta luta aprenderá como fazê-lo!


Acabar com guerras e conflitos é o primeiro passo para acabar com problemas sociais menores! Se todos os focos de guerras e violência forem combatidos, todos poderão ser! Se todos nós pudermos salvar estas crianças, poderemos salvar também as crianças do lugar onde vivemos através do mesmo método!


Talvez, o problema onde você vive não foi resolvido porque ninguém está sabendo! Os políticos não agem se não for lucrativo de alguma forma para eles: É PRECISO DIZER QUE ESTAMOS VENDO TUDO E VAMOS PARAR COM TUDO ISSO!


A HUMANIDADE QUER MUDAR OS RUMOS DA PRÓPRIA HISTÓRIA!


Você também pode dizer ao mundo que sabe e  vê as crianças de Uganda 'curtindo' a página no Facebook:
https://www.facebook.com/KONY20121?ref=ts&sk=wall



notícias relacionadas
http://sol.sapo.pt/inicio/Internacional/Interior.aspx?content_id=43615

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Um estranho no lar


Desconheço a autoria... Enviado por Karin Matz




Alguns anos depois que nasci, meu pai conheceu um estranho, recém-chegado
à nossa pequena cidade. 
Desde o princípio, meu pai ficou fascinado com este encantador personagem,
e em seguida o convidou a viver com nossa família.


O estranho aceitou e desde então tem estado conosco. 


Enquanto eu crescia, nunca perguntei sobre seu lugar em minha família; na
minha mente jovem já tinha um lugar muito especial.


Meus pais eram instrutores complementares: 


Minha mãe me ensinou o que era bom e o que era mau e meu pai me ensinou a
obedecer. 


Mas o estranho era nosso narrador.


Mantinha-nos enfeitiçados por horas com aventuras, mistérios e comédias. 


Ele sempre tinha respostas para qualquer coisa que quiséssemos saber de
política, história ou ciência. 


Conhecia tudo do passado, do presente e até podia predizer o futuro! 


Levou minha família ao primeiro jogo de futebol. 


Fazia-me rir, e me fazia chorar. 


O estranho nunca parava de falar, mas o meu pai não se importava. 


Às vezes, minha mãe se levantava cedo e calada, enquanto o resto de nós
ficava escutando o que tinha que dizer, mas só ela ia à cozinha 
para ter paz e tranquilidade. (Agora me pergunto se ela teria rezado
alguma vez, para que o estranho fosse embora).


Meu pai dirigia nosso lar com certas convicções morais, mas o estranho
nunca se sentia obrigado a honrá-las. 


As blasfêmias, os palavrões, por exemplo, não eram permitidos em nossa
casa… Nem por parte nossa, nem de nossos amigos ou de qualquer
um que nos visitasse. Entretanto, nosso visitante de longo prazo, usava
sem problemas sua linguagem inapropriada que às vezes queimava meus ouvidos
e que fazia meu pai se retorcer e minha mãe se ruborizar. 
Meu pai nunca nos deu permissão para tomar álcool. Mas o estranho nos
animou a tentá-lo e a fazê-lo regularmente. 
Fez com que o cigarro parecesse fresco e inofensivo, e que os charutos e
os cachimbos fossem distinguidos. 
Falava livremente (talvez demasiado) sobre sexo. Seus comentários eram às
vezes evidentes, outras sugestivos, e geralmente vergonhosos. 


Agora sei que meus conceitos sobre relações foram influenciados fortemente
durante minha adolescência pelo estranho. 


Repetidas vezes o criticaram, mas ele nunca fez caso aos valores de meus
pais, mesmo assim, permaneceu em nosso lar. 


Passaram-se mais de cinquenta anos desde que o estranho veio para nossa
família. Desde então mudou muito; já não é tão fascinante como era ao
principio. 
Não obstante, se hoje você pudesse entrar na guarida de meus pais, ainda o
encontraria sentado em seu canto, esperando que alguém quisesse escutar
suas conversas ou dedicar seu tempo livre a fazer-lhe companhia... 


Seu nome? 


Nós o chamamos Televisor...


Nota: 


Pede-se que este artigo seja lido em cada lar. 


Agora tem uma esposa que se chama Computador 


e um filho que se chama Celular!

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O Paradoxo do nosso Tempo


Nós bebemos demais, fumamos demais, gastamos sem critérios,dirigimos rápido demais, ficamos acordados até muito mais tarde, acordamos muito cansados, lemos muito pouco, assistimos TV demais e rezamos raramente.


Multiplicamos nossos bens, mas reduzimos nossos valores. Nós falamos demais, amamos raramente, odiamos frequentemente. Aprendemos a sobreviver, mas não a viver: adicionamos anos à nossa vida e não vida aos nossos anos.


Fomos e voltamos à LUa, mas temos dificuldade em cruzar a rua e encontrar um novo vizinho. Conquistamos o espaço, mas não o nosso próprio.


Fizemos muitas coisas maiores, mas pouquíssimas melhores.


Limpamos o ar, mas poluímos a alma; dominamos o átomo, mas não nosso preconceito;escrevemos mais, mas aprendemos menos; planejamos mais, mas realizamos menos. Aprendemos a nos apressar e não a esperar.


Construímos mais computadores para armazenar informação, produzir mais cópias do que nunca, mas nos comunicamos menos.


Estamos na era do 'fast-food' e da digestão lenta; do homem grande de caráter pequeno; lucros acentuados e relações vazias.


Essa é a era dos dois empregos, vários divórcios, casas chiques e lares despedaçados.


Essas é a era das viagens rápidas, fraldas e moral descartáveis, das rapidinhas, dos cérebros ocos e das pílulas mágicas.


Um momento de muita coisa na vitrine e muito pouco na dispensa.


Uma era que leva essa carta a você, e uma era que te permite dividir essa reflexão ou simplesmente clicar 'delete'.




George Carlin - George Denis Patrick Carlin (Nova Iorque, 12 de maio de 1937 — Santa Monica, 22 de junho de 2008) foi um humorista, comediante de stand-up, ator e autor norte-americano, vencedor de cinco Grammys

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Seu semelhante é aquele que possuí Vida




Por muito tempo fui protetora de gatos involuntáriamente: abandonavam os filhotes na minha calçada ou arremessavam por cima do muro e do portão então, eu os recebia. Não me custava nada, afinal, convivo com gatos desde o berço. Minha mãe os colocavam pra dormir junto para afastar espíritos ruins. Como nada é acaso, este período convivendo com tantos gatos foi uma lição valiosa.


Por causa dos gatos não só aprendi muito sobre eles como também conheci cada vez mais o ser humano em mim e nos demais. Conheci também outras protetoras. Em muitas delas o que me chamava a atenção eram os motivos pelos quais as levaram a se dedicar aos animais domésticos: decepção com pessoas ou orientação médica para tratar problemas psicológicos. Tanto pertencentes de um grupo quanto de outro o que havia de comum em ambos era o desprezo pelo ser humano. Admirava-me já que não conseguia compreender como alguém poderia declarar amor incondicional a uma espécie distinta e não possuir o mesmo sentimento pela própria espécie. E comecei a me questionar  muito baseando-me no fato de que as pessoas condenam dos outros aquilo que está nelas mesmas, diferente de assumir a própria capacidade de errar e possuir defeitos.


Animais são como anjos e a tarefa deles é nos auxiliar a resgatarmos nossa própria essência, o que nos torna realmente humanos, isto é, se nossa relação com um animal não nos levar a aprendermos sobre o respeito aos nossos semelhantes, será em vão! Perde-se o sentido, pois nenhum apego aos animais anulará o fato de sermos humanos e necessitarmos conviver em sociedade.


O ser humano foi criado para ser sociável, portanto, por toda a sua vida precisará manifestar afeto por alguma coisa viva pois foi criado para amar. Quando as relações entre a mesma espécie desenvolvem decepções em demasia, é comum vermos o apego aos animais que geralmente retribui sempre positivamente, diferente de outro humano. Prova disto é que muitos donos não transformam o animal em parte da família por se ver em igualdade com o animal mas, por sentir falta de uma presença humana fiel a suas expectativas. Outra prova é a necessidade dos mesmos donos humanizar os animais concedendo-lhes não apenas roupas mas manias de humanos. O animal sempre acaba recebendo influência do dono de alguma forma tanto é que, muitos donos obesos possuem animais obesos.


Não importa seus defeitos, não importa suas escolhas erradas, seus problemas e dificuldades, o animal sempre te será fiel, nunca irá te cobrar nada e jamais te trairá o que ocorreria com outro ser humano. Dizem que o cão é o melhor amigo do homem e porque esse homem não tem um ser humano como melhor amigo? Seria ele capaz de ser o melhor amigo de alguém? 'Ser' amigo é uma coisa, 'ter' amigo é outra! Se te é tão importante ter amigos, só te interessa o 'ter' e não doar? Pois quem é amigo doa!


Mas em uma cadeia evolutiva, humanos seriam superiores a animais então, não podem regredir nessa cadeia. Se a convivência com animais não torna-lo um ser humano melhor a tarefa do animal em sua vida é inútil!


Minha experiência com animais me ensinou que posso respeitar toda Vida que pulsa na Natureza e isso incluí meus semelhantes. E assistindo todos os dias a capacidade humana de maltratar e agredir animais, chego a conclusão de que, quem realmente necessita de ajuda são os humanos!


A humanidade sofre muito hoje em dia com a carencia afetiva. E as atitudes de muitas pessoas parecem dizer que elas desejam mesmo ser vistas como animais, pois estes recebem muito mais atenção do que humanos.


Ame animais, mas ame pessoas também! Respeite animais e respeite pessoas também: se é capaz disto para com animal também será para com um humano!


O Amor não é uma exclusividade que você escolhe um alvo e direciona apenas para aquele foco em específico. O Amor é uma energia que pulsa como a Vida e se expande feito o Universo! É eterno portanto, não pode ser limitado! Se você ama os animais e a Natureza, é capaz de amar também seu semelhante!


A maldade humana é grande demais para merecer seu amor? Pessoas realmente evoluídas e de fato humanas são antes de tudo civilizadas e vão além de sua racionalidade: ela paga o Mal com Bem! Uma atitude negativa pode ser um pedido de socorro, pense nisto!


Licença Creative Commons
Seu semelhante é aquele que possui Vida! de Shimada Coelho é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported.
Based on a work at projetoadao.blogspot.com.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Eu só peço à Deus



Eu só peço a Deus
Que a dor não me seja indiferente
Que a morte não me encontre um dia
Solitário sem ter feito o q'eu queria
Eu só peço a Deus
Que a dor não me seja indiferente
Que a morte não me encontre um dia
Solitário sem ter feito o que eu queria
Eu só peço a Deus
Que a injustiça não me seja indiferente
Pois não posso dar a outra face
Se já fui machucada brutalmente
Eu só peço a Deus
Que a guerra não me seja indiferente
É um monstro grande e pisa forte
Toda fome e inocência dessa gente

Eu só peço a Deus
Que a mentira não me seja indiferente
Se um só traidor tem mais poder que um povo
Que este povo não esqueça facilmente

Eu só peço a Deus
Que o futuro não me seja indiferente
Sem ter que fugir desenganando
Pra viver uma cultura diferente

O PODER DA INFÂNCIA NUTRIDA

[Encontrei este artigo no jornal Metrô News de 06 de Janeiro de 2012 e ele tocou fundo nos pais desta família que forma meu lar. Desejei que todos que tiveram em suas mãos este jornal fossem também tocados.]



E mais um ano se inicia e novos desafios serão traçados e novas derrotas e novas vitórias surgirão. Como corredor, devoto de São Silvestre, passei meu reveillon correndo ao lado da minha irmã,nesta que é a prova de corrida mais famosa e mais bacana de SP. O novo trajeto não agradou, mas serve como metáfora para a vida, pois as vezes os caminhos são modificados por forças maiores e mesmo sendo desconfortáveis para nós, servem de aprendizado e se tornam provedores de novas emoções e surpresas.

O triste é você após ter lavado sua alma com o suor decorrente dos 15 kilometros percorridos, circular pela Paulista pós-corrida e observar diversas pessoas dormindo na rua, no frio, sendo ignoradas por todos. Será que um dia este nosso mundo vai criar jeito? Será que a felicidade de uns poderá não vir a ser mais a infelicidade de outros? Qual a lógica do acúmulo excessivo de riqueza e a da falta de bens básicos em outra ponta? Eu confesso que por ser ignorante e não compreender esta matemática, choro. Talvez por ser bobo, por não ter crescido o bastante para compreender que no mundo capitalista o que importa é o multiplicar e jamais o dividir. Um mundo onde se veicula na TV um programa estúpido onde cinco mulheres mais estúpidas ainda esbanjam toda sua fortuna e futilidade, como se vivessem em outro planeta. Claro que um planeta mais estúpido ainda que o nosso, como se isto fosse possível.

Por sorte ainda há pessoas, poucas, muito poucas, mas que ainda se importam em fazer o bem e porque não, realizar o sonho de outras. E falo de pessoas que não gastam mil reais numa garrafa de champagne brindando o nada na Oscar Freire em frente a uma criança de rua chorando de fome (eu vi esta cena e com uma das protagonistas do programa tosco sobre mulheres ricas), mas sim de pessoas com um poder aquisitivo bom, por obterem sucesso em sua área de trabalho, mas que não congelaram seu coração para o próximo.

Pessoas como um grande amigo meu que realizou o sonho de uma criança que viveu momentos complicados e de certa forma terríveis, mas que foi agraciada graças a este amigo, com uma viagem de sonhos e o presente de memórias eternas de extrema felicidade que sem sombra de dúvida sobrepõe-se sobre qualquer outra. O mundo encantado e mágico de Walt Disney tem este poder de renovação e de construção de boas e sólidas memórias. Os idiotas vão se ater ao fato de Disney ser clichê demais, como se a fome, a miséria humana e a indiferença também não fossem clichê nesta nossa sociedade. E convenhamos um clichê bem mal cheiroso. Fico com o perfume nostálgico da fantasia Disney, onde todo dia é celebrado como ano novo, com um espetáculo de fogos, renovando assim sua alma para o dia seguinte. Seria como aniversariar todo dia, afinal todo dia aprendemos algo e todo dia temos de celebrar a sorte de estarmos aqui. No mundo mágico de Walt Disney tudo que é, por sua vez, não seria e o que não fosse, por sua vez, seria.

Animais agem como pessoas, bonecos falam, casas se mexem, castelos mudam de cor, de tamanho e de textura, tudo para deleite dos seus olhos, mas ainda mais para alimentar sua imaginação e construir sorrisos que trazem com ele a esperança. Como diria Peter Pan, é só pensar numa coisa boa que num instante você voa. Recentemente cientistas descobriram que vivemos mais, se eliminamos de nossa memória os maus momentos. De acordo com a ciência, mude seu passado para melhor e viva muito mais. Sei que a vida não é nada fácil, mas uma colherada de açúcar sempre ajuda o remédio a descer mais fácil. Espelhe-se num doce sorriso dado na infância e o imprima na sua alma. Arregale um sorriso maior do que o do gato da Alice, mas não se esconda atrás desse sorriso e sim, mostre o que você é e quem você é! Não feche os olhos para a sujeira do mundo, e mesmo que se ache incapaz, faça algo para limpa-la, para mudar as regras impostas e que você não concorda. Olhe a sua volta e veja o quanto pode ser mudado e como você pode fazer alguém feliz. Qual a última vez que você deixou o seu coração decidir algo?

Qual a última vez que você foi o escultor de um sorriso na boca de uma criança? Será que não está na hora de deixar se levar pelo capitalismo desenfreado de acumular e acumular para nada? Não importa o quanto seu coração esteja aflito, pois enquanto você acreditar, o sonho há de se realizar. Nas palavras de Shakespeare: “... o amor é como a criança: deseja tudo o que vê.” E às vezes até consegue, mas mesmo assim, não desiste nunca. Ame como uma criança! Viva como uma criança. Sorria como uma criança e acima de tudo, não se leve tão a sério. Viva seu sonho da infância. Aquele escondido num canto da sua mente e que nunca se apagou. Está só esperando você chama-lo para brincar.

Um sonho é um desejo que seu coração faz não apenas enquanto você estiver dormindo, mas sempre. Nos sonhos você abrirá seu coração e o que quer que deseje para você, você terá.



Autor: Maurício Nunes,
é dramaturgo, músico, jornalista e cinéfilo, com livros sobre o tema.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Oração de Sapiência - Os Sete Sapatos Sujos (Mia Couto)

Oração de Sapiência na abertura do ano lectivo no ISCTEM
OS SETE SAPATOS SUJOS

Começo pela confissão de um sentimento conflituoso: é um prazer e uma honra ter recebido este convite e estar aqui convosco. Mas, ao mesmo tempo, não sei lidar com este nome pomposo: “oração de sapiência”. De propósito, escolhi um tema sobre o qual tenho apenas algumas, mal contidas, ignorâncias. Todos os dias somos confrontados com o apelo exaltante de combater a pobreza. E todos nós, de modo generoso e patriótico, queremos participar nessa batalha. Existem, no entanto, várias formas de pobreza. E há, entre todas, uma que escapa às estatísticas e aos indicadores numéricos: é a penúria da nossa reflexão sobre nós mesmos. Falo da dificuldade de nós pensarmos como sujeitos históricos, como lugar de partida e como destino de um sonho.


Falarei aqui na minha qualidade de escritor tendo escolhido um terreno que é a nossa interioridade, um território em que somos todos amadores. Neste domínio ninguém tem licenciatura, nem pode ter a ousadia de proferir orações de “sapiência”. O único segredo, a única sabedoria é sermos verdadeiros, não termos medo de partilhar publicamente as nossas fragilidades. É isso que venho fazer, partilhar convosco algumas das minhas dúvidas, das minhas solitárias cogitações.


Começo por um fait-divers. Há agora um anúncio nas nossas estações de rádio em que alguém pergunta à vizinha: diga-me minha senhora, o que é que se passa em sua casa, o seu filho é chefe de turma, as suas filhas casaram muito bem, o seu marido foi nomeado director, diga-me, querida vizinha, qual é o segredo? E a senhora responde: é que lá em casa nós comemos arroz marca…(não digo a marca porque não me pagaram este momento publicitário).


Seria bom que assim que fosse, que a nossa vida mudasse só por consumirmos um produto alimentar. Já estou a ver o nosso Magnifico Reitor a distribuir o mágico arroz e a abrirem-se no ISCTEM as portas para o sucesso e para a felicidade. Mas ser- se feliz é, infelizmente, muito mais trabalhoso.


No dia em que eu fiz 11 anos de idade, a 5 de Julho de 1966, o Presidente Kenneth Kaunda veio aos microfones da Rádio de Lusaka para anunciar que um dos grandes pilares da felicidade do seu povo tinha sido construído. Não falava de nenhuma marca de arroz. Ele agradecia ao povo da Zâmbia pelo seu envolvimento na criação da primeira universidade no país. Uns meses antes, Kaunda tinha lançado um apelo para que cada zambiano contribuísse para construir a Universidade. A resposta foi comovente: dezenas de milhares de pessoas corresponderam ao apelo. Camponeses deram milho, pescadores ofertaram pescado, funcionários deram dinheiro. Um país de gente analfabeta juntou-se para criar aquilo que imaginavam ser uma página nova na sua história. A mensagem dos camponeses na inauguração da Universidade dizia: nós demos porque acreditamos que, fazendo isto, os nossos netos deixarão de passar fome.
Quarenta anos depois, os netos dos camponeses zambianos continuam sofrendo de fome. Na realidade, os zambianos vivem hoje pior do que viviam naquela altura. Na década de 60, a Zâmbia beneficiava de um Produto Nacional Bruto comparável aos de Singapura e da Malásia. Hoje, nem de perto nem de longe, se pode comparar o nosso vizinho com aqueles dois países da Ásia.


Algumas nações africanas podem justificar a permanência da miséria porque sofreram guerras. Mas a Zâmbia nunca teve guerra. Alguns países podem argumentar que não possuem recursos. Todavia, a Zâmbia é uma nação com poderosos recursos minerais. De quem é a culpa deste frustrar de expectativas? Quem falhou? Foi a Universidade? Foi a sociedade? Foi o mundo inteiro que falhou? E porque razão Singapura e Malásia progrediram e a Zâmbia regrediu?
Falei da Zâmbia como um país africano ao acaso. Infelizmente, não faltariam outros exemplos. O nosso continente está repleto de casos idênticos, de marchas falhadas, esperanças frustradas. Generalizou-se entre nós a descrença na possibilidade de mudarmos os destinos do nosso continente. Vale a pena perguntarmo-nos: o que está acontecer? O que é preciso mudar dentro e fora de África?


Estas perguntas são sérias. Não podemos iludir as respostas, nem continuar a atirar poeira para ocultar responsabilidades. Não podemos aceitar que elas sejam apenas preocupação dos governos.


Felizmente, estamos vivendo em Moçambique uma situação particular, com diferenças bem sensíveis. Temos que reconhecer e ter orgulho que o nosso percurso foi bem distinto. Acabamos recentemente de presenciar uma dessas diferenças. Desde 1957, apenas seis entre 153 chefes de estado africanos renunciaram voluntariamente ao poder. Joaquim Chissano é o sétimo desses presidentes. Parece um detalhe mas é bem indicativo que o processo moçambicano se guiou por outras lógicas bem diversas.


Contudo, as conquistas da liberdade e da democracia que hoje usufruímos só serão definitivas quando se converterem em cultura de cada um de nós. E esse é ainda um caminho de gerações. Entretanto, pesam sobre Moçambique ameaças que são comuns a todo o continente. A fome, a miséria, as doenças, tudo isso nós partilhamos com o resto de África. Os números são aterradores: 90 milhões de africanos morrerão com SIDA nos próximos 20 anos. Para esse trágico número, Moçambique terá contribuído com cerca de 3 milhões de mortos. A maior parte destes condenados são jovens e representam exactamente a alavanca com que poderíamos remover o peso da miséria. Quer dizer, África não está só perdendo o seu próprio presente: está perdendo o chão onde nasceria um outro amanhã.
Ter futuro custa muito dinheiro. Mas é muito mais caro só ter passado. Antes da Independência, para os camponeses zambianos não havia futuro. Hoje o único tempo que para eles existe é o futuro dos outros.


Os desafios são maiores que esperança? Mas nós não podemos senão ser optimistas e fazer aquilo que os brasileiros chamam de levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima. O pessimismo é um luxo para os ricos.


A pergunta crucial é esta: o que é que nos separa desse futuro que todos queremos? Alguns acreditam que o que falta são mais quadros, mais escolas, mais hospitais. Outros acreditam que precisamos de mais investidores, mais projectos económicos. Tudo isso é necessário, tudo isso é imprescindível. Mas para mim, há uma outra coisa que é ainda mais importante. Essa coisa tem um nome: é uma nova atitude. Se não mudarmos de atitude não conquistaremos uma condição melhor. Poderemos ter mais técnicos, mais hospitais, mais escolas, mas não seremos construtores de futuro.


Falo de uma nova atitude mas a palavra deve ser pronunciada no plural, pois ela compõe um conjunto vasto de posturas, crenças, conceitos e preconceitos. Há muito que venho defendendo que o maior factor de atraso em Moçambique não se localiza na economia mas na incapacidade de gerarmos um pensamento produtivo, ousado e inovador. Um pensamento que não resulte da repetição de lugares comuns, de fórmulas e de receitas já pensadas pelos outros.


Às vezes me pergunto: de onde vem a dificuldade em nós pensarmos como sujeitos da História? Vem sobretudo de termos legado sempre aos outros o desenho da nossa própria identidade. Primeiro, os africanos foram negados. O seu território era a ausência, o seu tempo estava fora da História. Depois, os africanos foram estudados como um caso clínico. Agora, são ajudados a sobreviver no quintal da História.


Estamos todos nós estreando um combate interno para domesticar os nosso antigos fantasmas. Não podemos entrar na modernidade com o actual fardo de preconceitos. À porta da modernidade precisamos de nos descalçar. Eu contei sete sapatos sujos que necessitamos deixar na soleira da porta dos tempos novos. Haverá muitos. Mas eu tinha que escolher e sete é um número mágico.


O primeiro sapato: a ideia que os culpados são sempre os outros e nós somos sempre vítimas


Nós já conhecemos este discurso. A culpa já foi da guerra, do colonialismo, do imperialismo, do apartheid, enfim, de tudo e de todos. Menos nossa. É verdade que os outros tiveram a sua dose de culpa no nosso sofrimento. Mas parte da responsabilidade sempre morou dentro de casa.


Estamos sendo vítimas de um longo processo de desresponsabilização. Esta lavagem de mãos tem sido estimulada por algumas elites africanas que querem permanecer na impunidade. Os culpados estão à partida encontrados: são os outros, os da outra etnia, os da outra raça, os da outra geografia.


Há um tempo atrás fui sacudido por um livro intitulado Capitalist Nigger: The Road to Success de um nigeriano chamado Chika A. Onyeani. Reproduzi num jornal nosso um texto desse economista que é um apelo veemente para que os africanos renovem o olhar que mantém sobre si mesmos. Permitam-me que leia aqui um excerto dessa carta.


Caros irmãos: Estou completamente cansado de pessoas que só pensam numa coisa: queixar-se e lamentar-se num ritual em que nos fabricamos mentalmente como vítimas. Choramos e lamentamos, lamentamos e choramos. Queixamo-nos até à náusea sobre o que os outros nos fizeram e continuam a fazer. E pensamos que o mundo nos deve qualquer coisa. Lamento dizer-vos que isto não passa de uma ilusão. Ninguém nos deve nada. Ninguém está disposto a abdicar daquilo que tem, com a justificação que nós também queremos o mesmo. Se quisermos algo temos que o saber conquistar. Não podemos continuar a mendigar, meus irmãos e minhas irmãs.

40 anos depois da Independência continuamos a culpar os patrões coloniais por tudo o que acontece na África dos nossos dias. Os nossos dirigentes nem sempre são suficientemente honestos para aceitar a sua responsabilidade na pobreza dos nossos povos. Acusamos os europeus de roubar e pilhar os recursos naturais de África. Mas eu pergunto-vos: digam-me, quem está a convidar os europeus para assim procederem, não somos nós? (fim da citação)


Queremos que outros nos olhem com dignidade e sem paternalismo. Mas ao mesmo tempo continuamos olhando para nós mesmos com benevolência complacente: Somos peritos na criação do discurso desculpabilizante. E dizemos:

· Que alguém rouba porque, coitado, é pobre (esquecendo que há milhares de outros pobres que não roubam)

· Que o funcionário ou o polícia são corruptos porque, coitados, tem um salário insuficiente (esquecendo que ninguém, neste mundo, tem salário suficiente)
· Que o político abusou do poder porque, coitado, na tal África profunda, essas praticas são antropologicamente legitimas

A desresponsabilização é um dos estigmas mais graves que pesa sobre nós, africanos de Norte a Sul. Há os que dizem que se trata de uma herança da escravatura, desse tempo em que não se era dono de si mesmo. O patrão, muitas vezes longínquo e invisível, era responsável pelo nosso destino. Ou pela ausência de destino.

Hoje, nem sequer simbolicamente, matamos o antigo patrão. Uma das formas de tratamento que mais rapidamente emergiu de há uns dez anos para cá foi a palavra “patrão”. Foi como se nunca tivesse realmente morrido, como se espreitasse uma oportunidade histórica para se relançar no nosso quotidiano.

Pode-se culpar alguém desse ressurgimento? Não. Mas nós estamos criando uma sociedade que produz desigualdades e que reproduz relações de poder que acreditávamos estarem já enterradas.


Segundo sapato: a ideia de que o sucesso não nasce do trabalho

Ainda hoje despertei com a notícia que refere que um presidente africano vai mandar exorcizar o seu palácio de 300 quartos porque ele escuta ruídos “estranhos” durante a noite. O palácio é tão desproporcionado para a riqueza do país que demorou 20 anos a ser terminado. As insónias do presidente poderão nascer não de maus espíritos mas de uma certa má consciência.


O episódio apenas ilustra o modo como, de uma forma dominante, ainda explicamos os fenómenos positivos e negativos. O que explica a desgraça mora junto do que justifica a bem-aventurança. A equipe desportiva ganha, a obra de arte é premiada, a empresa tem lucros, o funcionário foi promovido? Tudo isso se deve a quê? A primeira resposta, meus amigos, todos a conhecemos. O sucesso deve-se à boa sorte. E a palavra “boa sorte” quer dizer duas coisas: a protecção dos antepassados mortos e protecção dos padrinhos vivos.


Nunca ou quase nunca se vê o êxito como resultado do esforço, do trabalho como um investimento a longo prazo. As causas do que nos sucede (de bom ou mau) são atribuídas a forças invisíveis que comandam o destino. Para alguns esta visão causal é tida como tão intrinsecamente “africana” que perderíamos “identidade” se dela abdicássemos. Os debates sobre as “autenticas” identidades são sempre escorregadios. Vale a pena debatermos, sim, se não poderemos reforçar uma visão mais produtiva e que aponte para uma atitude mais activa e interventiva sobre o curso da História.


Infelizmente olhamo-nos mais como consumidores do que produtores. A ideia de que África pode produzir arte, ciência e pensamento é estranha mesmo para muitos africanos. Ate aqui o continente produziu recursos naturais e força laboral.


Produziu futebolistas, dançarinos, escultores. Tudo isso se aceita, tudo isso reside no domínio daquilo eu se entende como natureza”. Mas já poucos aceitarão que os africanos possam ser produtores de ideias, de ética e de modernidade. Não é preciso que os outros desacreditem. Nós próprios nos encarregamos dessa descrença.


O ditado diz. “o cabrito come onde está amarrado”. Todos conhecemos o lamentável uso deste aforismo e como ele fundamenta a acção de gente que tira partido das situações e dos lugares. Já é triste que nos equiparemos a um cabrito. Mas também é sintomático que, nestes provérbios de conveniência nunca nos identificamos como os animais produtores, como é por exemplo a formiga. Imaginemos que o ditado muda e passar a ser assim: “Cabrito produz onde está amarrado.” Eu aposto que, nesse caso, ninguém mais queria ser cabrito.


Terceiro sapato: O preconceito de quem critica é um inimigo

Muitas acreditam que, com o fim do monopartidarismo, terminaria a intolerância para com os que pensavam diferente. Mas a intolerância não é apenas fruto de regimes. É fruto de culturas, é o resultado da História. Herdamos da sociedade rural uma noção de lealdade que é demasiado paroquial. Esse desencorajar do espírito crítico é ainda mais grave quando se trata da juventude. O universo rural é fundado na autoridade da idade. Aquele que é jovem, aquele que não casou nem teve filhos, esse não tem direitos, não tem voz nem visibilidade. A mesma marginalização pesa sobre a mulher.


Toda essa herança não ajuda a que se crie uma cultura de discussão frontal e aberta. Muito do debate de ideias é, assim, substituído pela agressão pessoal. Basta diabolizar quem pensa de modo diverso. Existe uma variedade de demónios à disposição: uma cor política, uma cor de alma, uma cor de pele, uma origem social ou religiosa diversa.


Há neste domínio um componente histórico recente que devemos considerar: Moçambique nasceu da luta de guerrilha. Essa herança deu-nos um sentido épico da história e um profundo orgulho no modo como a independência foi conquistada. Mas a luta armada de libertação nacional também cedeu, por inércia, a ideia de que o povo era uma espécie de exército e podia ser comandado por via de disciplina militar. Nos anos pós-independência, todos éramos militantes, todos tínhamos uma só causa, a nossa alma inteira vergava-se em continência na presença dos chefes. E havia tantos chefes. Essa herança não ajudou a que nascesse uma capacidade de insubordinação positiva.


Faço-vos agora uma confidência. No início da década de 80 fiz parte de um grupo de escritores e músicos a quem foi dada a incumbência de produzir um novo Hino Nacional e um novo Hino para o Partido Frelimo. A forma como recebemos a tarefa era indicadora dessa disciplina: recebemos a missão, fomos requisitados aos nossos serviços, e a mando do Presidente Samora Machel fomos fechados numa residência na Matola, tendo-nos sido dito: só saem daí quando tiverem feito os hinos. Esta relação entre o poder e os artistas só é pensável num dado quadro histórico. O que é certo é que nós aceitámos com dignidade essa incumbência, essa tarefa surgia como uma honra e um dever patriótico. E realmente lá nos comportamos mais ou menos bem. Era um momento de grandes dificuldades …e as tentações eram muitas. Nessa residência na Matola havia comida, empregados, piscina… num momento em que tudo isso faltava na cidade. Nos primeiros dias, confesso nós estávamos fascinados com tanta mordomia e ficávamos preguiçando e só corríamos para o piano quando ouvíamos as sirenes dos chefes que chegavam. Esse sentimento de desobediência adolescente era o nosso modo de exercermos uma pequena vingança contra essa disciplina de regimento.


Na letra de um dos hinos lá estava reflectida essa tendência militarizada, essa aproximação metafórica a que já fiz referência:

Somos soldados do povo
Marchando em frente

Tudo isto tem que ser olhado no seu contexto sem ressentimento. Afinal, foi assim, que nasceu a Pátria Amada, este hino que nos canta como um só povo, unido por um sonho comum.


Quarto sapato: a ideia que mudar as palavras muda a realidade

Uma vez em Nova Iorque um compatriota nosso fazia uma exposição sobre a situação da nossa economia e, a certo momento, falou de mercado negro. Foi o fim do mundo. Vozes indignadas de protesto se ergueram e o meu pobre amigo teve que interromper sem entender bem o que se estava a passar. No dia seguinte recebíamos uma espécie de pequeno dicionário dos termos politicamente incorrectos. Estavam banidos da língua termos como cego, surdo, gordo, magro, etc…


Nós fomos a reboque destas preocupações de ordem cosmética. Estamos reproduzindo um discurso que privilegia o superficial e que sugere que, mudando a cobertura, o bolo passa a ser comestível. Hoje assistimos, por exemplo, a hesitações sobre se devemos dizer “negro” ou “preto”. Como se o problema estivesse nas palavras, em si mesmas. O curioso é que, enquanto nos entretemos com essa escolha, vamos mantendo designações que são realmente pejorativas como as de mulato e de monhé.


Há toda uma geração que está aprendendo uma língua – a língua dos workshops. É uma língua simples uma espécie de crioulo a meio caminho entre o inglês e o português. Na realidade, não é uma língua mas um vocabulário de pacotilha. Basta saber agitar umas tantas palavras da moda para falarmos como os outros isto é, para não dizermos nada. Recomendo-vos fortemente uns tantos termos como, por exemplo:

- desenvolvimento sustentável
- awarenesses ou accountability
- boa governação
- parcerias sejam elas inteligentes ou não
- comunidades locais


Estes ingredientes devem ser usados de preferência num formato “powerpoint. Outro segredo para fazer boa figura nos workshops é fazer uso de umas tantas siglas. Porque um workshopista de categoria domina esses códigos. Cito aqui uma possível frase de um possível relatório: Os ODMS do PNUD equiparam-se ao NEPAD da UA e ao PARPA do GOM. Para bom entendedor meia sigla basta.
Sou de um tempo em que o que éramos era medido pelo que fazíamos. Hoje o que somos é medido pelo espectáculo que fazemos de nós mesmos, pelo modo como nos colocamos na montra. O CV, o cartão de visitas cheio de requintes e títulos, a bibliografia de publicações que quase ninguém leu, tudo isso parece sugerir uma coisa: a aparência passou a valer mais do que a capacidade para fazermos coisas.
Muitas das instituições que deviam produzir ideias estão hoje produzindo papéis, atafulhando prateleiras de relatórios condenados a serem arquivo morto. Em lugar de soluções encontram-se problemas. Em lugar de acções sugerem-se novos estudos.


Quinto sapato: A vergonha de ser pobre e o culto das aparências

A pressa em mostrar que não se é pobre é, em si mesma, um atestado de pobreza. A nossa pobreza não pode ser motivo de ocultação. Quem deve sentir vergonha não é o pobre mas quem cria pobreza.


Vivemos hoje uma atabalhoada preocupação em exibirmos falsos sinais de riqueza. Criou-se a ideia que o estatuto do cidadão nasce dos sinais que o diferenciam dos mais pobres.


Recordo-me que certa vez entendi comprar uma viatura em Maputo. Quando o vendedor reparou no carro que eu tinha escolhido quase lhe deu um ataque. “Mas esse, senhor Mia, o senhor necessita de uma viatura compatível”. O termo é curioso: “compatível”.


Estamos vivendo num palco de teatro e de representações: uma viatura já é não um objecto funcional. É um passaporte para um estatuto de importância, uma fonte de vaidades. O carro converteu-se num motivo de idolatria, numa espécie de santuário, numa verdadeira obsessão promocional.


Esta doença, esta religião que se podia chamar viaturolatria atacou desde o dirigente do Estado ao menino da rua. Um miúdo que não sabe ler é capaz de conhecer a marca e os detalhes todos dos modelos de viaturas. É triste que o horizonte de ambições seja tão vazio e se reduza ao brilho de uma marca de automóvel.


É urgente que as nossas escolas exaltem a humildade e a simplicidade como valores positivos.


A arrogância e o exibicionismo não são, como se pretende, emanações de alguma essência da cultura africana do poder. São emanações de quem toma a embalagem pelo conteúdo.


Sexto Sapato: A passividade perante a injustiça

Estarmos dispostos a denunciar injustiças quando são cometidas contra a nossa pessoa, o nosso grupo, a nossa etnia, a nossa religião. Estamos menos dispostos quando a injustiça é praticada contra os outros. Persistem em Moçambique zonas silenciosas de injustiça, áreas onde o crime permanece invisível. Refiro-me em particular à:

- violência domestica (40 por cento dos crimes resultam de agressão domestica contra mulheres, esse é um crime invisível)
- violência contra as viúvas
- à forma aviltante como são tratados muitos dos trabalhadores
- aos maus tratos infligidos às crianças


Ainda há dias ficamos escandalizados com o recente anúncio que privilegiava candidatos de raça branca. Tomaram-se medidas imediatas e isso foi absolutamente correcto. Contudo, existem convites à discriminação que são tão ou mais graves e que aceitamos como sendo naturais e inquestionáveis.


Tomemos esse anúncio do jornal e imaginemos que ele tinha sido redigido de forma correcta e não racial. Será que tudo estava bem? Eu não sei se todos estão a par de qual é a tiragem do jornal Notícias. São 13 mil exemplares. Mesmo se aceitarmos que cada jornal é lido por 5 pessoas, temos que o numero de leitores é menor que a população de um bairro de Maputo. É dentro deste universo que circulam convites e os acessos a oportunidades. Falei na tiragem mas deixei de lado o problema da circulação. Por que geografia restrita circulam as mensagens dos nossos jornais? Quanto de Moçambique é deixado de fora?


É verdade que esta discriminação não é comparável à do anúncio racista porque não é não resultado de acção explícita e consciente. Mas os efeitos de discriminação e exclusão destas práticas sociais devem ser pensados e não podem cair no saco da normalidade. Esse “bairro” das 60 000 pessoas é hoje uma nação dentro da nação, uma nação que chega primeiro, que troca entre si favores, que vive em português e dorme na almofada na escrita.


Um outro exemplo. Estamos administrando anti-retro-virais a cerca de 30 mil doentes com SIDA. Esse número poderá, nos próximos anos, chegar aos 50 000. Isso significa que cerca de um milhão quatrocentos e cinquenta mil doentes ficam excluídos de tratamento. Trata-se de uma decisão com implicações éticas terríveis. Como e quem decide quem fica de fora? É aceitável, pergunto, que a vida de um milhão e meio de cidadãos esteja nas mãos de um pequeno grupo técnico?


Sétimo sapato: A ideia de que para sermos modernos temos que imitar os outros

Todos os dias recebemos estranhas visitas em nossa casa. Entram por uma caixa mágica chamada televisão. Criam uma relação de virtual familiaridade. Aos poucos passamos a ser nós quem acredita estar vivendo fora, dançando nos braços de Janet Jackson. O que os vídeos e toda a sub-indústria televisiva nos vem dizer não é apenas “comprem”. Há todo um outro convite que é este: “sejam como nós”. Este apelo à imitação cai como ouro sobre azul: a vergonha em sermos quem somos é um trampolim para vestirmos esta outra máscara.


O resultado é que a produção cultural nossa se está convertendo na reprodução macaqueada da cultura dos outros. O futuro da nossa música poderá ser uma espécie de hip-hop tropical, o destino da nossa culinária poderá ser o Mac Donald’s.


Falamos da erosão dos solos, da deflorestação, mas a erosão das nossas culturas é ainda mais preocupante. A secundarização das línguas moçambicanas (incluindo da língua portuguesa) e a ideia que só temos identidade naquilo que é folclórico são modos de nos soprarem ao ouvido a seguinte mensagem: só somos modernos se formos americanos.


O nosso corpo social tem a uma história similar a de um indivíduo. Somos marcados por rituais de transição: o nascimento, o casamento, o fim da adolescência, o fim da vida.


Eu olho a nossa sociedade urbana e pergunto-me: será que queremos realmente ser diferentes ? Porque eu vejo que esses rituais de passagem se reproduzem como fotocópia fiel daquilo que eu sempre conheci na sociedade colonial. Estamos dançando a valsa, com vestidos compridos, num baile de finalistas que é decalcado daquele do meu tempo. Estamos copiando as cerimónias de final do curso a partir de modelos europeus de Inglaterra medieval. Casamo-nos de véus e grinaldas e atiramos para longe da Julius Nyerere tudo aquilo que possa sugerir uma cerimónia mais enraizada na terra e na tradição moçambicanas.


Falei da carga de que nos devemos desembaraçar para entrarmos a corpo inteiro na modernidade. Mas a modernidade não é uma porta apenas feita pelos outros. Nós somos também carpinteiros dessa construção e só nos interessa entrar numa modernidade de que sejamos também construtores.


A minha mensagem é simples: mais do que uma geração tecnicamente capaz, nós necessitamos de uma geração capaz de questionar a técnica. Uma juventude capaz de repensar o país e o mundo. Mais do que gente preparada para dar respostas, necessitamos de capacidade para fazer perguntas. Moçambique não precisa apenas de caminhar. Necessita de descobrir o seu próprio caminho num tempo enevoado e num mundo sem rumo. A bússola dos outros não serve, o mapa dos outros não ajuda. Necessitamos de inventar os nossos próprios pontos cardeais. Interessa-nos um passado que não esteja carregado de preconceitos, interessa-nos um futuro que não nos venha desenhado como um receita financeira.


A Universidade deve ser um centro de debate, uma fábrica de cidadania activa, uma forja de inquietações solidárias e de rebeldia construtiva. Não podemos treinar jovens profissionais de sucesso num oceano de miséria. A Universidade não pode aceitar ser reprodutor da injustiça e da desigualdade. Estamos lidando com jovens e com aquilo que deve ser um pensamento jovem, fértil e produtivo. Esse pensamento não se encomenda, não nasce sozinho. Nasce do debate, da pesquisa inovadora, da informação aberta e atenta ao que de melhor está surgindo em África e no mundo.


A questão é esta: fala-se muito dos jovens. Fala-se pouco com os jovens. Ou melhor, fala-se com eles quando se convertem num problema. A juventude vive essa condição ambígua, dançando entre a visão romantizada (ela é a seiva da Nação) e uma condição maligna, um ninho de riscos e preocupações (a SIDA, a droga, o desemprego).


Não foi apenas a Zâmbia a ver na educação aquilo que o naufrago vê num barco salva-vidas. Nós também depositamos os nossos sonhos nessa conta.


Numa sessão pública decorrida no ano passado em Maputo um já idoso nacionalista disse, com verdade e com coragem, o que já muitos sabíamos. Ele confessou que ele mesmo e muitos dos que, nos anos 60, fugiam para a FRELIMO não eram apenas motivados por dedicação a uma causa independentista. Eles arriscaram-se e saltaram a fronteira do medo para terem possibilidade de estudar. O fascínio pela educação como um passaporte para uma vida melhor estava presente um universo em que quase ninguém podia estudar. Essa restrição era comum a toda a África. Até 1940 o número de africanos que frequentavam escolas secundárias não chegava a 11 000. Hoje, a situação melhorou e esse número foi multiplicado milhares e milhares de vezes. O continente investiu na criação de novas capacidades. E esse investimento produziu, sem dúvida, resultados importantes.


Aos poucos se torna claro, porém, que mais quadros técnicos não resolvem, só por si, a miséria de uma nação. Se um país não possuir estratégias viradas para a produção de soluções profundas então todo esse investimento não produzirá a desejada diferença. Se as capacidades de uma nação estiverem viradas para o enriquecimento rápido de uma pequena elite então de pouco valerá termos mais quadros técnicos.


A escola é um meio para querermos o que não temos. A vida, depois, nos ensina a termos aquilo que não queremos. Entre a escola e a vida resta-nos ser verdadeiros e confessar aos mais jovens que nós também não sabemos e que, nós, professores e pais, também estamos à procura de respostas.


Com o novo governo ressurgiu o combate pela auto-estima. Isso é correcto e é oportuno. Temos que gostar de nós mesmos, temos que acreditar nas nossas capacidades. Mas esse apelo ao amor-próprio não pode ser fundado numa vaidade vazia, numa espécie de narcisismo fútil e sem fundamento. Alguns acreditam que vamos resgatar esse orgulho na visitação do passado. É verdade que é preciso sentir que temos raízes e que essas raízes nos honram. Mas a auto-estima não pode ser construída apenas de materiais do passado.


Na realidade, só existe um modo de nos valorizar: é pelo trabalho, pela obra que formos capazes de fazer. É preciso que saibamos aceitar esta condição sem complexos e sem vergonha: somos pobres. Ou melhor, fomos empobrecidos pela História. Mas nós fizemos parte dessa História, fomos também empobrecidos por nós próprios. A razão dos nossos actuais e futuros fracassos mora também dentro de nós.


Mas a força de superarmos a nossa condição histórica também reside dentro de nós. Saberemos como já soubemos antes conquistar certezas que somos produtores do nosso destino. Teremos mais e mais orgulho em sermos quem somos: moçambicanos construtores de um tempo e de um lugar onde nascemos todos os dias. É por isso que vale a pena aceitarmos descalçar não só os setes mas todos os sapatos que atrasam a nossa marcha colectiva. Porque a verdade é uma: antes vale andar descalço do que tropeçar com os sapatos dos outros.

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