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Centelhas de Luz - Destaque pra vocês!

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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O Paradoxo do nosso Tempo


Nós bebemos demais, fumamos demais, gastamos sem critérios,dirigimos rápido demais, ficamos acordados até muito mais tarde, acordamos muito cansados, lemos muito pouco, assistimos TV demais e rezamos raramente.


Multiplicamos nossos bens, mas reduzimos nossos valores. Nós falamos demais, amamos raramente, odiamos frequentemente. Aprendemos a sobreviver, mas não a viver: adicionamos anos à nossa vida e não vida aos nossos anos.


Fomos e voltamos à LUa, mas temos dificuldade em cruzar a rua e encontrar um novo vizinho. Conquistamos o espaço, mas não o nosso próprio.


Fizemos muitas coisas maiores, mas pouquíssimas melhores.


Limpamos o ar, mas poluímos a alma; dominamos o átomo, mas não nosso preconceito;escrevemos mais, mas aprendemos menos; planejamos mais, mas realizamos menos. Aprendemos a nos apressar e não a esperar.


Construímos mais computadores para armazenar informação, produzir mais cópias do que nunca, mas nos comunicamos menos.


Estamos na era do 'fast-food' e da digestão lenta; do homem grande de caráter pequeno; lucros acentuados e relações vazias.


Essa é a era dos dois empregos, vários divórcios, casas chiques e lares despedaçados.


Essas é a era das viagens rápidas, fraldas e moral descartáveis, das rapidinhas, dos cérebros ocos e das pílulas mágicas.


Um momento de muita coisa na vitrine e muito pouco na dispensa.


Uma era que leva essa carta a você, e uma era que te permite dividir essa reflexão ou simplesmente clicar 'delete'.




George Carlin - George Denis Patrick Carlin (Nova Iorque, 12 de maio de 1937 — Santa Monica, 22 de junho de 2008) foi um humorista, comediante de stand-up, ator e autor norte-americano, vencedor de cinco Grammys

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Seu semelhante é aquele que possuí Vida




Por muito tempo fui protetora de gatos involuntáriamente: abandonavam os filhotes na minha calçada ou arremessavam por cima do muro e do portão então, eu os recebia. Não me custava nada, afinal, convivo com gatos desde o berço. Minha mãe os colocavam pra dormir junto para afastar espíritos ruins. Como nada é acaso, este período convivendo com tantos gatos foi uma lição valiosa.


Por causa dos gatos não só aprendi muito sobre eles como também conheci cada vez mais o ser humano em mim e nos demais. Conheci também outras protetoras. Em muitas delas o que me chamava a atenção eram os motivos pelos quais as levaram a se dedicar aos animais domésticos: decepção com pessoas ou orientação médica para tratar problemas psicológicos. Tanto pertencentes de um grupo quanto de outro o que havia de comum em ambos era o desprezo pelo ser humano. Admirava-me já que não conseguia compreender como alguém poderia declarar amor incondicional a uma espécie distinta e não possuir o mesmo sentimento pela própria espécie. E comecei a me questionar  muito baseando-me no fato de que as pessoas condenam dos outros aquilo que está nelas mesmas, diferente de assumir a própria capacidade de errar e possuir defeitos.


Animais são como anjos e a tarefa deles é nos auxiliar a resgatarmos nossa própria essência, o que nos torna realmente humanos, isto é, se nossa relação com um animal não nos levar a aprendermos sobre o respeito aos nossos semelhantes, será em vão! Perde-se o sentido, pois nenhum apego aos animais anulará o fato de sermos humanos e necessitarmos conviver em sociedade.


O ser humano foi criado para ser sociável, portanto, por toda a sua vida precisará manifestar afeto por alguma coisa viva pois foi criado para amar. Quando as relações entre a mesma espécie desenvolvem decepções em demasia, é comum vermos o apego aos animais que geralmente retribui sempre positivamente, diferente de outro humano. Prova disto é que muitos donos não transformam o animal em parte da família por se ver em igualdade com o animal mas, por sentir falta de uma presença humana fiel a suas expectativas. Outra prova é a necessidade dos mesmos donos humanizar os animais concedendo-lhes não apenas roupas mas manias de humanos. O animal sempre acaba recebendo influência do dono de alguma forma tanto é que, muitos donos obesos possuem animais obesos.


Não importa seus defeitos, não importa suas escolhas erradas, seus problemas e dificuldades, o animal sempre te será fiel, nunca irá te cobrar nada e jamais te trairá o que ocorreria com outro ser humano. Dizem que o cão é o melhor amigo do homem e porque esse homem não tem um ser humano como melhor amigo? Seria ele capaz de ser o melhor amigo de alguém? 'Ser' amigo é uma coisa, 'ter' amigo é outra! Se te é tão importante ter amigos, só te interessa o 'ter' e não doar? Pois quem é amigo doa!


Mas em uma cadeia evolutiva, humanos seriam superiores a animais então, não podem regredir nessa cadeia. Se a convivência com animais não torna-lo um ser humano melhor a tarefa do animal em sua vida é inútil!


Minha experiência com animais me ensinou que posso respeitar toda Vida que pulsa na Natureza e isso incluí meus semelhantes. E assistindo todos os dias a capacidade humana de maltratar e agredir animais, chego a conclusão de que, quem realmente necessita de ajuda são os humanos!


A humanidade sofre muito hoje em dia com a carencia afetiva. E as atitudes de muitas pessoas parecem dizer que elas desejam mesmo ser vistas como animais, pois estes recebem muito mais atenção do que humanos.


Ame animais, mas ame pessoas também! Respeite animais e respeite pessoas também: se é capaz disto para com animal também será para com um humano!


O Amor não é uma exclusividade que você escolhe um alvo e direciona apenas para aquele foco em específico. O Amor é uma energia que pulsa como a Vida e se expande feito o Universo! É eterno portanto, não pode ser limitado! Se você ama os animais e a Natureza, é capaz de amar também seu semelhante!


A maldade humana é grande demais para merecer seu amor? Pessoas realmente evoluídas e de fato humanas são antes de tudo civilizadas e vão além de sua racionalidade: ela paga o Mal com Bem! Uma atitude negativa pode ser um pedido de socorro, pense nisto!


Licença Creative Commons
Seu semelhante é aquele que possui Vida! de Shimada Coelho é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported.
Based on a work at projetoadao.blogspot.com.

Boas Maneiras: uma necessidade!


Um país desenvolvido precisa ser o reflexo de seu povo... Um desenvolvimento cujo povo não é desenvolvido também é fachada!


No Brasil tentam implantar os ciclodromos exigindo para um cadastro todos os documentos mais comprovante de residência de mais de 6 meses... É porque há um grande risco de que as bicicletas sejam roubadas e nunca mais devolvidas!


Então me lembro que no Japão você segue de bicicleta até a estação de trem onde há um enorme estacionamento com milhares de bicicletas onde você deixa a sua estacionada. Pega o trem, vai até onde quer e quando chega, se depara com outro estacionamento de bicicletas onde você procura por uma sem cadeado (pois não tem dono) e faz seu passeio. Na volta, deixa a bike onde encontrou, pega o trem de volta pra casa e encontra sua bicicleta exatamente onde encontrou!


Guarda-chuvas lá são descartáveis: se a chuva te pegar no meio do caminho, tudo bem! Ou você compra um guarda-chuvas com um preço simbólico ou encontrará nas portas de loja um tambor com guarda-chuvas deixados ali que podem ser usados por quem precisar! Quando não for usar mais, deixa em outro tambor pra que você ou outra pessoa tenha disponível quando precisar. Aqui, você esquece em qualquer lugar e nunca mais você vê...


Fala-se muito que o povo precisa de educação, mas é preciso lembrar que a educação que o povo tem precisado não é apenas acadêmica e escolar. Falta ao nosso povo boas maneiras e sem isso, não importa o quanto o país se desenvolva, ainda assim continuaremos a ser um terceiro mundo pois sem bons modos o ser humano não tem como evoluir!


Boas maneiras é reflexo de bom caráter e respeito mútuo!

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

A Lei que todos gostaríamos que existisse!






As leis foram criadas com base em crimes da época da criação da Lei, isto quer dizer, os crimes naquela época estão relacionados com o estilo de vida daquela época.


Hoje em dia o criminoso age de modo bem diferente e muito violento fazendo com que a Lei esteja defasada para os tipos de crimes cometidos hoje!


Você é roubado, perde seus bens e nunca os tem de volta, fica com o trauma e o ladrão ainda sai por bom comportamento ou no Dia das Mães. Um familiar é morto e o assassino ainda tem direito de seguir com a própria vida? Sem leis realmente justas e aplicáveis, nossa sociedade irá de mau à pior!


Por isso, publicamos aqui uma sugestão de Lei e se você gostar, compartilhe!






- Todo crime contra o indivíduo, contra a família, contra patrimônios públicos ou privados, contra a vida, contra os direitos já estabelecidos pela Lei vigente devem ser julgados e sentenciados conforme a Lei estipula, independente de classe social, cargo político, religião, pois independente destes e de outros poréns, antes de qualquer nível e classificação todos os que residem em território nacional são antes de tudo cidadão comum.


- Todo criminoso deve trabalhar para custear sua estadia no presídio onde cumpre sua pena, assim também como os gastos com advogados estando os advogados públicos disponíveis apenas para cidadãos que não cometem crimes.


- Crimes contra a Vida devem ser julgados segundo a Lei vigente sendo que:


* Atentados contra a Vida ( tentativa de homicídio): sentença prevista + trabalho até que todas as perdas e danos das vítimas sejam pagas+ pensão por tempo indeterminado.


* Qualquer ato criminoso que resulte em Morte: sentença prevista + exclusão definitiva do seio da sociedade,por internação e isolamento, cujos gastos sejam pagos com o trabalho do infrator +pensão para a família da vítima


- Roubos: pena prevista + trabalho até que todas as perdas sejam ressarcidas.


- Danos contras patrimonios públicos ou privados: pena prevista + recuperação do patrimônio danificado.


- Posse ilegal de arma: pena prevista mais + multa paga com trabalho.


- Estupro ou Pedofilia: pena prevista sem direito a seguro + castração


- Violência de qualquer espécie contra idosos: pena prevista com trabalho. Ambos devem perdurar até o fim da vida da vítima que receberá pensão para manter-se por esse tempo. Esta pensão será resultado do infrator que só poderá alcançar liberdade quando a vítima vir a óbito.


- Violência e assassinato contra animais: pena previsa + multa+ trabalho para pagamento do tratamento do animal em caso de maus tratos ou agressão.


- Tortura, discriminação, racismo, nazismo: pena previsata + pensão estipulada durante o tempo de vida da vítima.


- Roubo de dinheiro público e material destinado à população: pena prevista + trabalho até ressarcimento total.


- Crimes políticos contra a população: pena prevista para roubo + trabalho até ressarcimento sem direito e nenhum previlégio sendo este obrigado a cumprir sua pena como qualquer cidadão além de perder o direito de disputar eleições, cargos públicos e aquisição de vistos e passaporte.


- Dívidas com empresas: conciliação.


- Negligência dos poderes Públicos: pinição prevista por lei levando-se em consideração os 'Atentados contra a Vida"


- Todo criminoso de qualquer espécie fica impedido de usufruir de sua liberdade até que sua pena seja cumprida.




Caso você tenha alguma sugestão ou queira acrescentar algo, envia para projetoadao2@gmail.com

domingo, 22 de janeiro de 2012

Pelo fim dos maus tratos a animais!


Não é simplesmente a defesa dos animais, nem tão pouco apenas o cumprimento da lei...

É a consciência de que uma pessoa incapaz de respeitar um animal é também incapaz de respeitar sua própria espécie!
Amar animais, não porque não somos capazes de amar pessoas! Amar animais, não para suprir nossa necessidade de amar algo vivo! Amar animais não para parecer bom ou porque está na moda!

Amar animais porque os vemos não como seres inferiores e indefesos mas como iguais pois, a vida que pulsa neles, também pulsa em nós!

Dependemos da existência de toda a Natureza em seu mais perfeito equilíbrio para que possamos continuar existindo!



sábado, 21 de janeiro de 2012

Porque as pessoas estão Loucas e o mundo sendo destruído ?

É isso que tentamos tanto dizer!
Você não pode ter uma convicção ser viver sua opinião e o que acredita!
Você não pode atribuir valor e defender algo com que não tenha uma contato direto!


sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Sobre os DESAPARECIDOS

Gostaria muito que as imagens de desaparecidos fossem tão bem divulgadas e disseminadas internet à fora e estivessem na memória de todos assim como um reles bordão '... menos Luiza que está no Canadá!'.

A indiferença quanto aos DESAPARECIDOS é tanta que ainda repassam comunicados de desaparecimentos antigos, sem certificar-se de data ou se a pessoa já foi encontrada!

Alguns minutos de seu precioso tempo, só isso é suficiente! Um pouco mais de atenção se você é realmente alguém consciente, que faz seu melhor pelo outro e que está de fato interessado em ajudar quando repassa mensagens recebidas.

A dor da perda de um ente querido é profunda, mas o tempo ajuda a curar. Mas a dor de não saber onde está alguém e como está, nada cura a não ser que a pessoa seja localizada!

Peço um pouco mais de sensibilidade quando o assunto for vidas!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Oração de Sapiência - Os Sete Sapatos Sujos (Mia Couto)

Oração de Sapiência na abertura do ano lectivo no ISCTEM
OS SETE SAPATOS SUJOS

Começo pela confissão de um sentimento conflituoso: é um prazer e uma honra ter recebido este convite e estar aqui convosco. Mas, ao mesmo tempo, não sei lidar com este nome pomposo: “oração de sapiência”. De propósito, escolhi um tema sobre o qual tenho apenas algumas, mal contidas, ignorâncias. Todos os dias somos confrontados com o apelo exaltante de combater a pobreza. E todos nós, de modo generoso e patriótico, queremos participar nessa batalha. Existem, no entanto, várias formas de pobreza. E há, entre todas, uma que escapa às estatísticas e aos indicadores numéricos: é a penúria da nossa reflexão sobre nós mesmos. Falo da dificuldade de nós pensarmos como sujeitos históricos, como lugar de partida e como destino de um sonho.


Falarei aqui na minha qualidade de escritor tendo escolhido um terreno que é a nossa interioridade, um território em que somos todos amadores. Neste domínio ninguém tem licenciatura, nem pode ter a ousadia de proferir orações de “sapiência”. O único segredo, a única sabedoria é sermos verdadeiros, não termos medo de partilhar publicamente as nossas fragilidades. É isso que venho fazer, partilhar convosco algumas das minhas dúvidas, das minhas solitárias cogitações.


Começo por um fait-divers. Há agora um anúncio nas nossas estações de rádio em que alguém pergunta à vizinha: diga-me minha senhora, o que é que se passa em sua casa, o seu filho é chefe de turma, as suas filhas casaram muito bem, o seu marido foi nomeado director, diga-me, querida vizinha, qual é o segredo? E a senhora responde: é que lá em casa nós comemos arroz marca…(não digo a marca porque não me pagaram este momento publicitário).


Seria bom que assim que fosse, que a nossa vida mudasse só por consumirmos um produto alimentar. Já estou a ver o nosso Magnifico Reitor a distribuir o mágico arroz e a abrirem-se no ISCTEM as portas para o sucesso e para a felicidade. Mas ser- se feliz é, infelizmente, muito mais trabalhoso.


No dia em que eu fiz 11 anos de idade, a 5 de Julho de 1966, o Presidente Kenneth Kaunda veio aos microfones da Rádio de Lusaka para anunciar que um dos grandes pilares da felicidade do seu povo tinha sido construído. Não falava de nenhuma marca de arroz. Ele agradecia ao povo da Zâmbia pelo seu envolvimento na criação da primeira universidade no país. Uns meses antes, Kaunda tinha lançado um apelo para que cada zambiano contribuísse para construir a Universidade. A resposta foi comovente: dezenas de milhares de pessoas corresponderam ao apelo. Camponeses deram milho, pescadores ofertaram pescado, funcionários deram dinheiro. Um país de gente analfabeta juntou-se para criar aquilo que imaginavam ser uma página nova na sua história. A mensagem dos camponeses na inauguração da Universidade dizia: nós demos porque acreditamos que, fazendo isto, os nossos netos deixarão de passar fome.
Quarenta anos depois, os netos dos camponeses zambianos continuam sofrendo de fome. Na realidade, os zambianos vivem hoje pior do que viviam naquela altura. Na década de 60, a Zâmbia beneficiava de um Produto Nacional Bruto comparável aos de Singapura e da Malásia. Hoje, nem de perto nem de longe, se pode comparar o nosso vizinho com aqueles dois países da Ásia.


Algumas nações africanas podem justificar a permanência da miséria porque sofreram guerras. Mas a Zâmbia nunca teve guerra. Alguns países podem argumentar que não possuem recursos. Todavia, a Zâmbia é uma nação com poderosos recursos minerais. De quem é a culpa deste frustrar de expectativas? Quem falhou? Foi a Universidade? Foi a sociedade? Foi o mundo inteiro que falhou? E porque razão Singapura e Malásia progrediram e a Zâmbia regrediu?
Falei da Zâmbia como um país africano ao acaso. Infelizmente, não faltariam outros exemplos. O nosso continente está repleto de casos idênticos, de marchas falhadas, esperanças frustradas. Generalizou-se entre nós a descrença na possibilidade de mudarmos os destinos do nosso continente. Vale a pena perguntarmo-nos: o que está acontecer? O que é preciso mudar dentro e fora de África?


Estas perguntas são sérias. Não podemos iludir as respostas, nem continuar a atirar poeira para ocultar responsabilidades. Não podemos aceitar que elas sejam apenas preocupação dos governos.


Felizmente, estamos vivendo em Moçambique uma situação particular, com diferenças bem sensíveis. Temos que reconhecer e ter orgulho que o nosso percurso foi bem distinto. Acabamos recentemente de presenciar uma dessas diferenças. Desde 1957, apenas seis entre 153 chefes de estado africanos renunciaram voluntariamente ao poder. Joaquim Chissano é o sétimo desses presidentes. Parece um detalhe mas é bem indicativo que o processo moçambicano se guiou por outras lógicas bem diversas.


Contudo, as conquistas da liberdade e da democracia que hoje usufruímos só serão definitivas quando se converterem em cultura de cada um de nós. E esse é ainda um caminho de gerações. Entretanto, pesam sobre Moçambique ameaças que são comuns a todo o continente. A fome, a miséria, as doenças, tudo isso nós partilhamos com o resto de África. Os números são aterradores: 90 milhões de africanos morrerão com SIDA nos próximos 20 anos. Para esse trágico número, Moçambique terá contribuído com cerca de 3 milhões de mortos. A maior parte destes condenados são jovens e representam exactamente a alavanca com que poderíamos remover o peso da miséria. Quer dizer, África não está só perdendo o seu próprio presente: está perdendo o chão onde nasceria um outro amanhã.
Ter futuro custa muito dinheiro. Mas é muito mais caro só ter passado. Antes da Independência, para os camponeses zambianos não havia futuro. Hoje o único tempo que para eles existe é o futuro dos outros.


Os desafios são maiores que esperança? Mas nós não podemos senão ser optimistas e fazer aquilo que os brasileiros chamam de levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima. O pessimismo é um luxo para os ricos.


A pergunta crucial é esta: o que é que nos separa desse futuro que todos queremos? Alguns acreditam que o que falta são mais quadros, mais escolas, mais hospitais. Outros acreditam que precisamos de mais investidores, mais projectos económicos. Tudo isso é necessário, tudo isso é imprescindível. Mas para mim, há uma outra coisa que é ainda mais importante. Essa coisa tem um nome: é uma nova atitude. Se não mudarmos de atitude não conquistaremos uma condição melhor. Poderemos ter mais técnicos, mais hospitais, mais escolas, mas não seremos construtores de futuro.


Falo de uma nova atitude mas a palavra deve ser pronunciada no plural, pois ela compõe um conjunto vasto de posturas, crenças, conceitos e preconceitos. Há muito que venho defendendo que o maior factor de atraso em Moçambique não se localiza na economia mas na incapacidade de gerarmos um pensamento produtivo, ousado e inovador. Um pensamento que não resulte da repetição de lugares comuns, de fórmulas e de receitas já pensadas pelos outros.


Às vezes me pergunto: de onde vem a dificuldade em nós pensarmos como sujeitos da História? Vem sobretudo de termos legado sempre aos outros o desenho da nossa própria identidade. Primeiro, os africanos foram negados. O seu território era a ausência, o seu tempo estava fora da História. Depois, os africanos foram estudados como um caso clínico. Agora, são ajudados a sobreviver no quintal da História.


Estamos todos nós estreando um combate interno para domesticar os nosso antigos fantasmas. Não podemos entrar na modernidade com o actual fardo de preconceitos. À porta da modernidade precisamos de nos descalçar. Eu contei sete sapatos sujos que necessitamos deixar na soleira da porta dos tempos novos. Haverá muitos. Mas eu tinha que escolher e sete é um número mágico.


O primeiro sapato: a ideia que os culpados são sempre os outros e nós somos sempre vítimas


Nós já conhecemos este discurso. A culpa já foi da guerra, do colonialismo, do imperialismo, do apartheid, enfim, de tudo e de todos. Menos nossa. É verdade que os outros tiveram a sua dose de culpa no nosso sofrimento. Mas parte da responsabilidade sempre morou dentro de casa.


Estamos sendo vítimas de um longo processo de desresponsabilização. Esta lavagem de mãos tem sido estimulada por algumas elites africanas que querem permanecer na impunidade. Os culpados estão à partida encontrados: são os outros, os da outra etnia, os da outra raça, os da outra geografia.


Há um tempo atrás fui sacudido por um livro intitulado Capitalist Nigger: The Road to Success de um nigeriano chamado Chika A. Onyeani. Reproduzi num jornal nosso um texto desse economista que é um apelo veemente para que os africanos renovem o olhar que mantém sobre si mesmos. Permitam-me que leia aqui um excerto dessa carta.


Caros irmãos: Estou completamente cansado de pessoas que só pensam numa coisa: queixar-se e lamentar-se num ritual em que nos fabricamos mentalmente como vítimas. Choramos e lamentamos, lamentamos e choramos. Queixamo-nos até à náusea sobre o que os outros nos fizeram e continuam a fazer. E pensamos que o mundo nos deve qualquer coisa. Lamento dizer-vos que isto não passa de uma ilusão. Ninguém nos deve nada. Ninguém está disposto a abdicar daquilo que tem, com a justificação que nós também queremos o mesmo. Se quisermos algo temos que o saber conquistar. Não podemos continuar a mendigar, meus irmãos e minhas irmãs.

40 anos depois da Independência continuamos a culpar os patrões coloniais por tudo o que acontece na África dos nossos dias. Os nossos dirigentes nem sempre são suficientemente honestos para aceitar a sua responsabilidade na pobreza dos nossos povos. Acusamos os europeus de roubar e pilhar os recursos naturais de África. Mas eu pergunto-vos: digam-me, quem está a convidar os europeus para assim procederem, não somos nós? (fim da citação)


Queremos que outros nos olhem com dignidade e sem paternalismo. Mas ao mesmo tempo continuamos olhando para nós mesmos com benevolência complacente: Somos peritos na criação do discurso desculpabilizante. E dizemos:

· Que alguém rouba porque, coitado, é pobre (esquecendo que há milhares de outros pobres que não roubam)

· Que o funcionário ou o polícia são corruptos porque, coitados, tem um salário insuficiente (esquecendo que ninguém, neste mundo, tem salário suficiente)
· Que o político abusou do poder porque, coitado, na tal África profunda, essas praticas são antropologicamente legitimas

A desresponsabilização é um dos estigmas mais graves que pesa sobre nós, africanos de Norte a Sul. Há os que dizem que se trata de uma herança da escravatura, desse tempo em que não se era dono de si mesmo. O patrão, muitas vezes longínquo e invisível, era responsável pelo nosso destino. Ou pela ausência de destino.

Hoje, nem sequer simbolicamente, matamos o antigo patrão. Uma das formas de tratamento que mais rapidamente emergiu de há uns dez anos para cá foi a palavra “patrão”. Foi como se nunca tivesse realmente morrido, como se espreitasse uma oportunidade histórica para se relançar no nosso quotidiano.

Pode-se culpar alguém desse ressurgimento? Não. Mas nós estamos criando uma sociedade que produz desigualdades e que reproduz relações de poder que acreditávamos estarem já enterradas.


Segundo sapato: a ideia de que o sucesso não nasce do trabalho

Ainda hoje despertei com a notícia que refere que um presidente africano vai mandar exorcizar o seu palácio de 300 quartos porque ele escuta ruídos “estranhos” durante a noite. O palácio é tão desproporcionado para a riqueza do país que demorou 20 anos a ser terminado. As insónias do presidente poderão nascer não de maus espíritos mas de uma certa má consciência.


O episódio apenas ilustra o modo como, de uma forma dominante, ainda explicamos os fenómenos positivos e negativos. O que explica a desgraça mora junto do que justifica a bem-aventurança. A equipe desportiva ganha, a obra de arte é premiada, a empresa tem lucros, o funcionário foi promovido? Tudo isso se deve a quê? A primeira resposta, meus amigos, todos a conhecemos. O sucesso deve-se à boa sorte. E a palavra “boa sorte” quer dizer duas coisas: a protecção dos antepassados mortos e protecção dos padrinhos vivos.


Nunca ou quase nunca se vê o êxito como resultado do esforço, do trabalho como um investimento a longo prazo. As causas do que nos sucede (de bom ou mau) são atribuídas a forças invisíveis que comandam o destino. Para alguns esta visão causal é tida como tão intrinsecamente “africana” que perderíamos “identidade” se dela abdicássemos. Os debates sobre as “autenticas” identidades são sempre escorregadios. Vale a pena debatermos, sim, se não poderemos reforçar uma visão mais produtiva e que aponte para uma atitude mais activa e interventiva sobre o curso da História.


Infelizmente olhamo-nos mais como consumidores do que produtores. A ideia de que África pode produzir arte, ciência e pensamento é estranha mesmo para muitos africanos. Ate aqui o continente produziu recursos naturais e força laboral.


Produziu futebolistas, dançarinos, escultores. Tudo isso se aceita, tudo isso reside no domínio daquilo eu se entende como natureza”. Mas já poucos aceitarão que os africanos possam ser produtores de ideias, de ética e de modernidade. Não é preciso que os outros desacreditem. Nós próprios nos encarregamos dessa descrença.


O ditado diz. “o cabrito come onde está amarrado”. Todos conhecemos o lamentável uso deste aforismo e como ele fundamenta a acção de gente que tira partido das situações e dos lugares. Já é triste que nos equiparemos a um cabrito. Mas também é sintomático que, nestes provérbios de conveniência nunca nos identificamos como os animais produtores, como é por exemplo a formiga. Imaginemos que o ditado muda e passar a ser assim: “Cabrito produz onde está amarrado.” Eu aposto que, nesse caso, ninguém mais queria ser cabrito.


Terceiro sapato: O preconceito de quem critica é um inimigo

Muitas acreditam que, com o fim do monopartidarismo, terminaria a intolerância para com os que pensavam diferente. Mas a intolerância não é apenas fruto de regimes. É fruto de culturas, é o resultado da História. Herdamos da sociedade rural uma noção de lealdade que é demasiado paroquial. Esse desencorajar do espírito crítico é ainda mais grave quando se trata da juventude. O universo rural é fundado na autoridade da idade. Aquele que é jovem, aquele que não casou nem teve filhos, esse não tem direitos, não tem voz nem visibilidade. A mesma marginalização pesa sobre a mulher.


Toda essa herança não ajuda a que se crie uma cultura de discussão frontal e aberta. Muito do debate de ideias é, assim, substituído pela agressão pessoal. Basta diabolizar quem pensa de modo diverso. Existe uma variedade de demónios à disposição: uma cor política, uma cor de alma, uma cor de pele, uma origem social ou religiosa diversa.


Há neste domínio um componente histórico recente que devemos considerar: Moçambique nasceu da luta de guerrilha. Essa herança deu-nos um sentido épico da história e um profundo orgulho no modo como a independência foi conquistada. Mas a luta armada de libertação nacional também cedeu, por inércia, a ideia de que o povo era uma espécie de exército e podia ser comandado por via de disciplina militar. Nos anos pós-independência, todos éramos militantes, todos tínhamos uma só causa, a nossa alma inteira vergava-se em continência na presença dos chefes. E havia tantos chefes. Essa herança não ajudou a que nascesse uma capacidade de insubordinação positiva.


Faço-vos agora uma confidência. No início da década de 80 fiz parte de um grupo de escritores e músicos a quem foi dada a incumbência de produzir um novo Hino Nacional e um novo Hino para o Partido Frelimo. A forma como recebemos a tarefa era indicadora dessa disciplina: recebemos a missão, fomos requisitados aos nossos serviços, e a mando do Presidente Samora Machel fomos fechados numa residência na Matola, tendo-nos sido dito: só saem daí quando tiverem feito os hinos. Esta relação entre o poder e os artistas só é pensável num dado quadro histórico. O que é certo é que nós aceitámos com dignidade essa incumbência, essa tarefa surgia como uma honra e um dever patriótico. E realmente lá nos comportamos mais ou menos bem. Era um momento de grandes dificuldades …e as tentações eram muitas. Nessa residência na Matola havia comida, empregados, piscina… num momento em que tudo isso faltava na cidade. Nos primeiros dias, confesso nós estávamos fascinados com tanta mordomia e ficávamos preguiçando e só corríamos para o piano quando ouvíamos as sirenes dos chefes que chegavam. Esse sentimento de desobediência adolescente era o nosso modo de exercermos uma pequena vingança contra essa disciplina de regimento.


Na letra de um dos hinos lá estava reflectida essa tendência militarizada, essa aproximação metafórica a que já fiz referência:

Somos soldados do povo
Marchando em frente

Tudo isto tem que ser olhado no seu contexto sem ressentimento. Afinal, foi assim, que nasceu a Pátria Amada, este hino que nos canta como um só povo, unido por um sonho comum.


Quarto sapato: a ideia que mudar as palavras muda a realidade

Uma vez em Nova Iorque um compatriota nosso fazia uma exposição sobre a situação da nossa economia e, a certo momento, falou de mercado negro. Foi o fim do mundo. Vozes indignadas de protesto se ergueram e o meu pobre amigo teve que interromper sem entender bem o que se estava a passar. No dia seguinte recebíamos uma espécie de pequeno dicionário dos termos politicamente incorrectos. Estavam banidos da língua termos como cego, surdo, gordo, magro, etc…


Nós fomos a reboque destas preocupações de ordem cosmética. Estamos reproduzindo um discurso que privilegia o superficial e que sugere que, mudando a cobertura, o bolo passa a ser comestível. Hoje assistimos, por exemplo, a hesitações sobre se devemos dizer “negro” ou “preto”. Como se o problema estivesse nas palavras, em si mesmas. O curioso é que, enquanto nos entretemos com essa escolha, vamos mantendo designações que são realmente pejorativas como as de mulato e de monhé.


Há toda uma geração que está aprendendo uma língua – a língua dos workshops. É uma língua simples uma espécie de crioulo a meio caminho entre o inglês e o português. Na realidade, não é uma língua mas um vocabulário de pacotilha. Basta saber agitar umas tantas palavras da moda para falarmos como os outros isto é, para não dizermos nada. Recomendo-vos fortemente uns tantos termos como, por exemplo:

- desenvolvimento sustentável
- awarenesses ou accountability
- boa governação
- parcerias sejam elas inteligentes ou não
- comunidades locais


Estes ingredientes devem ser usados de preferência num formato “powerpoint. Outro segredo para fazer boa figura nos workshops é fazer uso de umas tantas siglas. Porque um workshopista de categoria domina esses códigos. Cito aqui uma possível frase de um possível relatório: Os ODMS do PNUD equiparam-se ao NEPAD da UA e ao PARPA do GOM. Para bom entendedor meia sigla basta.
Sou de um tempo em que o que éramos era medido pelo que fazíamos. Hoje o que somos é medido pelo espectáculo que fazemos de nós mesmos, pelo modo como nos colocamos na montra. O CV, o cartão de visitas cheio de requintes e títulos, a bibliografia de publicações que quase ninguém leu, tudo isso parece sugerir uma coisa: a aparência passou a valer mais do que a capacidade para fazermos coisas.
Muitas das instituições que deviam produzir ideias estão hoje produzindo papéis, atafulhando prateleiras de relatórios condenados a serem arquivo morto. Em lugar de soluções encontram-se problemas. Em lugar de acções sugerem-se novos estudos.


Quinto sapato: A vergonha de ser pobre e o culto das aparências

A pressa em mostrar que não se é pobre é, em si mesma, um atestado de pobreza. A nossa pobreza não pode ser motivo de ocultação. Quem deve sentir vergonha não é o pobre mas quem cria pobreza.


Vivemos hoje uma atabalhoada preocupação em exibirmos falsos sinais de riqueza. Criou-se a ideia que o estatuto do cidadão nasce dos sinais que o diferenciam dos mais pobres.


Recordo-me que certa vez entendi comprar uma viatura em Maputo. Quando o vendedor reparou no carro que eu tinha escolhido quase lhe deu um ataque. “Mas esse, senhor Mia, o senhor necessita de uma viatura compatível”. O termo é curioso: “compatível”.


Estamos vivendo num palco de teatro e de representações: uma viatura já é não um objecto funcional. É um passaporte para um estatuto de importância, uma fonte de vaidades. O carro converteu-se num motivo de idolatria, numa espécie de santuário, numa verdadeira obsessão promocional.


Esta doença, esta religião que se podia chamar viaturolatria atacou desde o dirigente do Estado ao menino da rua. Um miúdo que não sabe ler é capaz de conhecer a marca e os detalhes todos dos modelos de viaturas. É triste que o horizonte de ambições seja tão vazio e se reduza ao brilho de uma marca de automóvel.


É urgente que as nossas escolas exaltem a humildade e a simplicidade como valores positivos.


A arrogância e o exibicionismo não são, como se pretende, emanações de alguma essência da cultura africana do poder. São emanações de quem toma a embalagem pelo conteúdo.


Sexto Sapato: A passividade perante a injustiça

Estarmos dispostos a denunciar injustiças quando são cometidas contra a nossa pessoa, o nosso grupo, a nossa etnia, a nossa religião. Estamos menos dispostos quando a injustiça é praticada contra os outros. Persistem em Moçambique zonas silenciosas de injustiça, áreas onde o crime permanece invisível. Refiro-me em particular à:

- violência domestica (40 por cento dos crimes resultam de agressão domestica contra mulheres, esse é um crime invisível)
- violência contra as viúvas
- à forma aviltante como são tratados muitos dos trabalhadores
- aos maus tratos infligidos às crianças


Ainda há dias ficamos escandalizados com o recente anúncio que privilegiava candidatos de raça branca. Tomaram-se medidas imediatas e isso foi absolutamente correcto. Contudo, existem convites à discriminação que são tão ou mais graves e que aceitamos como sendo naturais e inquestionáveis.


Tomemos esse anúncio do jornal e imaginemos que ele tinha sido redigido de forma correcta e não racial. Será que tudo estava bem? Eu não sei se todos estão a par de qual é a tiragem do jornal Notícias. São 13 mil exemplares. Mesmo se aceitarmos que cada jornal é lido por 5 pessoas, temos que o numero de leitores é menor que a população de um bairro de Maputo. É dentro deste universo que circulam convites e os acessos a oportunidades. Falei na tiragem mas deixei de lado o problema da circulação. Por que geografia restrita circulam as mensagens dos nossos jornais? Quanto de Moçambique é deixado de fora?


É verdade que esta discriminação não é comparável à do anúncio racista porque não é não resultado de acção explícita e consciente. Mas os efeitos de discriminação e exclusão destas práticas sociais devem ser pensados e não podem cair no saco da normalidade. Esse “bairro” das 60 000 pessoas é hoje uma nação dentro da nação, uma nação que chega primeiro, que troca entre si favores, que vive em português e dorme na almofada na escrita.


Um outro exemplo. Estamos administrando anti-retro-virais a cerca de 30 mil doentes com SIDA. Esse número poderá, nos próximos anos, chegar aos 50 000. Isso significa que cerca de um milhão quatrocentos e cinquenta mil doentes ficam excluídos de tratamento. Trata-se de uma decisão com implicações éticas terríveis. Como e quem decide quem fica de fora? É aceitável, pergunto, que a vida de um milhão e meio de cidadãos esteja nas mãos de um pequeno grupo técnico?


Sétimo sapato: A ideia de que para sermos modernos temos que imitar os outros

Todos os dias recebemos estranhas visitas em nossa casa. Entram por uma caixa mágica chamada televisão. Criam uma relação de virtual familiaridade. Aos poucos passamos a ser nós quem acredita estar vivendo fora, dançando nos braços de Janet Jackson. O que os vídeos e toda a sub-indústria televisiva nos vem dizer não é apenas “comprem”. Há todo um outro convite que é este: “sejam como nós”. Este apelo à imitação cai como ouro sobre azul: a vergonha em sermos quem somos é um trampolim para vestirmos esta outra máscara.


O resultado é que a produção cultural nossa se está convertendo na reprodução macaqueada da cultura dos outros. O futuro da nossa música poderá ser uma espécie de hip-hop tropical, o destino da nossa culinária poderá ser o Mac Donald’s.


Falamos da erosão dos solos, da deflorestação, mas a erosão das nossas culturas é ainda mais preocupante. A secundarização das línguas moçambicanas (incluindo da língua portuguesa) e a ideia que só temos identidade naquilo que é folclórico são modos de nos soprarem ao ouvido a seguinte mensagem: só somos modernos se formos americanos.


O nosso corpo social tem a uma história similar a de um indivíduo. Somos marcados por rituais de transição: o nascimento, o casamento, o fim da adolescência, o fim da vida.


Eu olho a nossa sociedade urbana e pergunto-me: será que queremos realmente ser diferentes ? Porque eu vejo que esses rituais de passagem se reproduzem como fotocópia fiel daquilo que eu sempre conheci na sociedade colonial. Estamos dançando a valsa, com vestidos compridos, num baile de finalistas que é decalcado daquele do meu tempo. Estamos copiando as cerimónias de final do curso a partir de modelos europeus de Inglaterra medieval. Casamo-nos de véus e grinaldas e atiramos para longe da Julius Nyerere tudo aquilo que possa sugerir uma cerimónia mais enraizada na terra e na tradição moçambicanas.


Falei da carga de que nos devemos desembaraçar para entrarmos a corpo inteiro na modernidade. Mas a modernidade não é uma porta apenas feita pelos outros. Nós somos também carpinteiros dessa construção e só nos interessa entrar numa modernidade de que sejamos também construtores.


A minha mensagem é simples: mais do que uma geração tecnicamente capaz, nós necessitamos de uma geração capaz de questionar a técnica. Uma juventude capaz de repensar o país e o mundo. Mais do que gente preparada para dar respostas, necessitamos de capacidade para fazer perguntas. Moçambique não precisa apenas de caminhar. Necessita de descobrir o seu próprio caminho num tempo enevoado e num mundo sem rumo. A bússola dos outros não serve, o mapa dos outros não ajuda. Necessitamos de inventar os nossos próprios pontos cardeais. Interessa-nos um passado que não esteja carregado de preconceitos, interessa-nos um futuro que não nos venha desenhado como um receita financeira.


A Universidade deve ser um centro de debate, uma fábrica de cidadania activa, uma forja de inquietações solidárias e de rebeldia construtiva. Não podemos treinar jovens profissionais de sucesso num oceano de miséria. A Universidade não pode aceitar ser reprodutor da injustiça e da desigualdade. Estamos lidando com jovens e com aquilo que deve ser um pensamento jovem, fértil e produtivo. Esse pensamento não se encomenda, não nasce sozinho. Nasce do debate, da pesquisa inovadora, da informação aberta e atenta ao que de melhor está surgindo em África e no mundo.


A questão é esta: fala-se muito dos jovens. Fala-se pouco com os jovens. Ou melhor, fala-se com eles quando se convertem num problema. A juventude vive essa condição ambígua, dançando entre a visão romantizada (ela é a seiva da Nação) e uma condição maligna, um ninho de riscos e preocupações (a SIDA, a droga, o desemprego).


Não foi apenas a Zâmbia a ver na educação aquilo que o naufrago vê num barco salva-vidas. Nós também depositamos os nossos sonhos nessa conta.


Numa sessão pública decorrida no ano passado em Maputo um já idoso nacionalista disse, com verdade e com coragem, o que já muitos sabíamos. Ele confessou que ele mesmo e muitos dos que, nos anos 60, fugiam para a FRELIMO não eram apenas motivados por dedicação a uma causa independentista. Eles arriscaram-se e saltaram a fronteira do medo para terem possibilidade de estudar. O fascínio pela educação como um passaporte para uma vida melhor estava presente um universo em que quase ninguém podia estudar. Essa restrição era comum a toda a África. Até 1940 o número de africanos que frequentavam escolas secundárias não chegava a 11 000. Hoje, a situação melhorou e esse número foi multiplicado milhares e milhares de vezes. O continente investiu na criação de novas capacidades. E esse investimento produziu, sem dúvida, resultados importantes.


Aos poucos se torna claro, porém, que mais quadros técnicos não resolvem, só por si, a miséria de uma nação. Se um país não possuir estratégias viradas para a produção de soluções profundas então todo esse investimento não produzirá a desejada diferença. Se as capacidades de uma nação estiverem viradas para o enriquecimento rápido de uma pequena elite então de pouco valerá termos mais quadros técnicos.


A escola é um meio para querermos o que não temos. A vida, depois, nos ensina a termos aquilo que não queremos. Entre a escola e a vida resta-nos ser verdadeiros e confessar aos mais jovens que nós também não sabemos e que, nós, professores e pais, também estamos à procura de respostas.


Com o novo governo ressurgiu o combate pela auto-estima. Isso é correcto e é oportuno. Temos que gostar de nós mesmos, temos que acreditar nas nossas capacidades. Mas esse apelo ao amor-próprio não pode ser fundado numa vaidade vazia, numa espécie de narcisismo fútil e sem fundamento. Alguns acreditam que vamos resgatar esse orgulho na visitação do passado. É verdade que é preciso sentir que temos raízes e que essas raízes nos honram. Mas a auto-estima não pode ser construída apenas de materiais do passado.


Na realidade, só existe um modo de nos valorizar: é pelo trabalho, pela obra que formos capazes de fazer. É preciso que saibamos aceitar esta condição sem complexos e sem vergonha: somos pobres. Ou melhor, fomos empobrecidos pela História. Mas nós fizemos parte dessa História, fomos também empobrecidos por nós próprios. A razão dos nossos actuais e futuros fracassos mora também dentro de nós.


Mas a força de superarmos a nossa condição histórica também reside dentro de nós. Saberemos como já soubemos antes conquistar certezas que somos produtores do nosso destino. Teremos mais e mais orgulho em sermos quem somos: moçambicanos construtores de um tempo e de um lugar onde nascemos todos os dias. É por isso que vale a pena aceitarmos descalçar não só os setes mas todos os sapatos que atrasam a nossa marcha colectiva. Porque a verdade é uma: antes vale andar descalço do que tropeçar com os sapatos dos outros.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

O GRANDE CÍRCULO DO ARCO-IRIS


"Quando o rio e o ar estiverem sujos, quando o ser humano houver se perdido completamente da linha da vida, quando os animais estiverem ameaçados, as ancestrais árvores cruelmente abatidas, quando a doença e a tristeza estiverem dizimando o povo vermelho, virá uma nova nação, uma nova tribo. Serão em grande número, surgiram de onde não se espera. Virão em muitas montarias, sua magia diferente, terão artes que desafiarão a compreensão. Serão de muitas cores, por isto essa Tribo será conhecida como Tribo do Arco-Íris, eles virão quando o fim parecer certo, eles virão e curarão a Terra." PROFECIA DO ARCO-IRIS

Lembro-me daquele dia, quando o vento da primavera tocava os meus cabelos suavemente como se fosse a mulher amada acariciando-os. Havia acabado de acender a pequena fogueira que iria ser minha companheira durante toda noite.
Enquanto fumava meu cachimbo com sálvia e alecrim, eu não tirava os olhos do Fogo. Já era noite alta quando a Lua surgiu no horizonte, o bojo do meu cachimbo já encontrava-se frio, mas o Irmão Fogo crepitava vibrantemente trazendo calor ao meu Ser. Já fazia algum tempo que eu não ouvia os sons dos grilos e de outras criaturas da noite, fora o crepitar do Fogo eu diria que o mundo havia parado naquele instante, tamanho o silêncio que eu vivenciava.

Olhando o Irmão Fogo, eu via os galhos que eu havia recolhido por toda à tarde, queimarem lentamente. Enquanto o Fogo dançava perante os meus olhos, senti uma pequena explosão de estrelas girando a minha frente. Eu estava reunido com outros irmãos num grande círculo em volta de uma outra fogueira. As estrelas continuavam dançando a nossa volta e vi que eu pertencia ao Círculo de Fiéis das Estrelas, os Guerreiros do Arco-íris.

Talvez alguns de vocês se lembrem. O local do nosso encontro não foi na superfície da Mãe Terra, mas estávamos reunidos em Sirius. Daquele local, podíamos ver, abaixo de nós, a rotação da Terra, os oceanos, as ilhas e os continentes. O Grande Espírito nos havia chamado para nos concientizar da tarefa sagrada que nos seria dada naquele momento. Muitos entre nós não estávamos projetando identidades sobre a Terra.

Não conseguíamos compreender porque este mundo se encontrava na Segunda Grande Guerra. Se conhecêssemos essa abordagem extremista para sacudir os alicerces dos humanos, não teríamos aprovado aquela estratégia, que no nosso modo de ver se fazia desnecessária.

Éramos espíritos com uma boa experiência em conseguir a colaboração de nossos corpos humanos, de nossas mentes, de nossos corações, quando nos vestíamos com o invólucro humano. Devido a isso, muito de nós havia andado pela Mãe Terra já há algum tempo. Esse tempo representava para alguns, séculos ou milênios.

Uma pequena minoria de nós haviam auxiliado a guiar a grande família humana nos momentos mais críticos da mesma. Os convocados para aquela reunião estavam prontos para reencarnar. Fomos alertados sobre o significado inusitado daquela ocasião quando, de repente cruzando a face do sol, percebemos o semblante da Mãe Universal; e, de fato, quando começou a transferência de pensamento, foi ela quem falou, ela cujo corpo são as galáxias. Sua luz concentrada quase cegava os nosso olhos tamanha a intensidade.

Sabíamos que essa presença era a fonte da qual tirávamos todo o nosso ser. Mas, testemunhar a materialização tão nítida dessa presença era diferente daquilo a que estávamos acostumados, tanto quanto é diferente a luz do sol como a da lua. Na comunicação que se seguiu, as três manifestações do Grande Espírito – solar, universal e eterna – fluíam dentro e fora uma da outra, fundindo-se, complentando-se, tecendo as cores da sua totalidade.

O Criador falou pelas três manifestações, dando-nos instruções específicas: "Vocês estão sendo convidados, para encarnar num mundo onde prevalece a ilusão nas mentes e corações daqueles que lá habitam. Aqueles que aceitarem esse convite encontrar-se-ão breve nos últimos dias da infância da espécie humana, numa situação onde as correntes do medo têm dominado sua experiência de separação. Numerei os dias desse estado de coisas que em breve hão de terminar.
Estebeleci as forças externas que separarão o medo do amor na consciência humana, banindo um e redimindo o outro." "Convido-os para serem meus agentes nessa cultura do medo no intuito de que façam por dentro o que puderem a fim de complementar as mudanças que estou trazendo de fora. Pois sei que haverá medrosos cujos corpos físicos não sobreviverão à separação entre o amor e o medo, mas sei também que não há razão, nenhuma boa razão, para que o ser humano desencarne durante esta separação."

"Chamei-os aqui porque vocês, em tempos passados deram provas de que podem, em alto grau, manter seus corpos, mentes e corações em harmonia com seus corpos luminosos. Deixo para vocês o convite para encarnar nessas tribos que habitam a terra. Não lhes pedi isso antes, porque eventos históricos anteriores as condições na terra não favoreciam tanto a disseminação da nossa consciência. Mas o despertar da consciência humana já se iniciou.

A presença de vocês contribuiria muito para minimizar o possível trauma que pode ocorrer na mudança da era." "O papel de vocês, será preparar as pessoas para o momento em que as mentiras, que faziam nascer todo pensamento que gira em torno do medo, serão banidas para sempre da consciência humana. Embora pareça estranho para vocês, se as populações humanas não forem preparadas, será muito mais difícil para elas sobreviver à separação, tão entrelaçados estão o pensamentos que causam medo, não só pela maneira de pensar, mas também pelo que revelam de si mesmos. Temos de ajudar que se descontraiam e parem de se definir a si mesmos como entidades vulneráveis."

Foi-nos dito que para efetivamente conseguirmos isto deveríamos encarnar, não em locais protegidos, como nos tempos antigos, mas nas mais medrosas entre as famílias de dirigentes do planeta. Isso garantiria nossa colocação estratégica entre os elementos da humanidade que seriam de fato os mais resistentes ao poder da educação.

O Criador teve o cuidado de esclarecer que estávamos abrindo mão de nossos vínculos familiares tradicionais para encarnar dessa maneira, e que seria possível, ao acordar, nos encontrarmos em ambiente sem apoio e com vibrações estranhas. Foi enfatizado que não seriamos obrigados a aceitar esse cargo e que nosso papel era inteiramente voluntário. Mesmo que aceitássemos, não haveria garantia de que teríamos sucesso em eliminar totalmente o trauma da transição, mas haveria a chance de que mais pessoas poderiam atravessar a separação final com os sentidos intactos.

Para nos alertar acerca dessa oportunidade, nossa Tribo havia sido convocada para se reunir nos céus estrelados de Sirius. Fomos alertados sobre perigos que provavelmente encontraríamos num mundo controlado pelas organizações inspiradas no medo.

"O verdadeiro poder está no amor que se fortalecerá a cada dia durante o ciclo vindouro. Nossa estratégia agora é permitir que as organizações baseadas no medo continuem dominando na aparência, enquanto drenamos sutilmente a fonte de seu poder, o medo. Isto tornará seu banimento final menos traumático para a família humana em geral, pois até lá o número do que acreditam neles terá diminuído grandemente."

Nos foi lembrado então das muitas etapas da lógica do medo de que nós mesmos nos havíamos livrado durante andanças anteriores pela terra. Solicitaram-nos que levássemos quem éramos e o que sabíamos e encarnássemos entre as nações do século XX.
Nossa missão era manter a nossa inocência nos confrontos que deveríamos ter com todas as formas conhecidas de organização humana. Foi-nos garantido que o momentum da era estava a nosso favor. "Vocês fazem isso não apenas em favor da sua própria espécie, mas para vocês mesmos e para todos os que sua raça influenciará nos tempos vindouros.

Apesar de muito estarem encarnados em meios a características da humanidade há muito mantidos separados de seus próprios reinos de experiência, não obstante, vocês estão vinculados às tribos guerreiras por elas forjados pelos seus próprios pensamentos em eras passadas, elos que puseram de lado apenas temporariamente, mas isso vocês sabiam desde o início."

O Círculo de Fiéis das Estrelas, os Guerreiros do Arco-Íris foi convidado a encarnar em massa como uma geração global única. Não era necessário sermos vermelhos por fora, seriamos amarelos, brancos, negros e vermelhos, mas teríamos por dentro a cor vermelha dos verdadeiros Ancestrais. Para que a transição fosse mais fácil possível para os que estão na terra, concordamos.

Nosso propósito foi, e tem sido sempre, preparar o caminho para o Quinto Mundo até chegarmos ao Sétimo Mundo, culminando no despertar do criador e para dissolver, no grande amor que temos por este planeta abençoado, as estruturas do medo que agrilhoam a consciência humana.

Entraríamos em formas humanas, alguns para encarnar na próxima onda de filhos, e outros nos filhos de seus filhos. Faríamos o que fosse possível para ajudar na orientação pacífica do mundo rumo aquele momento no tempo em que o Criador despertaria no interior da família humana e começaria a dirigi-la como um organismo único.

"O perigo para vocês que irão encarnar nas dinastias do medo desses tempos, é essas estruturas e as energias que elas incorporam são tão profundamente subconscientes que, à medida que vocês nascem e são criados entre elas, é possível que esqueçam o propósito para o qual estão encarnados. À medida que a geração de vocês chegar a maturidade, dar-lhes-ei um assistência especial para ajuda-los a se recordar."

Foram então gravadas na estrutura de nossos corpos emocionais, canções sem palavras, dispersas no tempo, que nos ajudariam a despertar mesmo quando a compreensão consciente não estivesse presente. Alguns de nós foram encarregados de cuidar da música e receberam o encargo de introduzir melodias de ativação.

Essas melodias começaram a ser entregues na década de 1960 através de canções que vibravam com mensagens emocionais de amor, de esperança e de alegria.

Através da música, muitos dos que dormiam começaram a se mexer. Os primeiros raios da alvorada foram ouvidos no rádio antes que eles suspeitassem que havia um céu para se contemplar. Não obstante, nosso despertar não é completo até que o que encontrou uma forma emocional encontre também uma forma conceitual. O que sabemos em nossos corações requer como complemento a compreensão consciente para que se aborde efetivamente a cura que está ao nosso alcance.

Temos que aceitar a missão de refazer o nosso mundo a imagem do amor. Nós os Guerreiros do Arco-Íris viemos nesta era, tanto tempo depois da remoção dos senhores feudais e conquistadores, surpreende-nos ainda encontrar remanescências dos antigos processos atraindo a atenção humana. Certamente, aqueles senhores feudais foram bem sucedidos ao transformar os povos da terra em vassalos. Parece que os humanos foram treinados tanto tempo na subserviência que agora se sentem inseguros para tomar sua própria iniciativa.

Eles continuam facilmente seguindo as sombras dos caminhos dos conquistadores, mesmo quando essas sombras estão incompletas, obrigando-os a criar caminhos semelhantes só para manter o hábito. O desafio que temos de enfrentar é despertar de novo e nos juntarmos a outros para, pelo nosso exemplo, mostrar a beleza e o poder de novos caminhos.

Podemos deixar para trás a etapa do anoitecer que deu lugar à imaginação sonolenta que liga esse despertar a algum guru ou a alguma organização humana, não importa quão linda ou esclarecida ela seja. Somos chamados para nos organizar neste tempo, não em torno de sistemas de líderes, de ideologias ou crenças, mas em torno do amor: amor ao Grande Espírito, do amor ao semelhante e do amor a nossa Mãe Terra.

Alguns de vocês estavam lá comigo, lembrem-se da nossa reunião. É agora o momento de encarnar, de empreender a cura e o trabalho educativo para o qual viemos. Fomos semeados por todos os continentes do mundo. Ouvimos a mesma música no caminho para o trabalho em São Paulo, em Los Angeles, Londres ou em Toronto.

Temos a mesma visão de paz e desarmamento quando olhamos as crianças brincando nas ruas de Milão, Cusco, Sidney ou de Tel-Aviv. Sonhamos os mesmo sonhos ao anoitecer em Brasília, em Moscou ou no Cairo. Testemunhamos juntos no mesmo momento em que ocorrem acontecimentos transmitidos pelos meios de telecomunicações.

Abrimos nossos olhos nos desertos, nas montanhas, nos cerrados, nas selvas e nas cidades e vilas de cada nação. Somos o povo de hoje. E hoje não há ninguém, senão nós mesmos, para determinar o que devemos fazer. A história se repete, como qualquer hábito o faz. E nenhum hábito, não importa quão profundamente enraizado, poderá se reinstaurar onde a consciência, a honestidade e a livre determinação caracterizam os afazeres humanos.

Embora nossa geração se oferecesse como voluntária para facilitar a transição que estar por vir, a tarefa não é exclusivamente nossa. Muitos ajudaram. Muitos estão ajudando. Todos são convidados a contribuir com seus talentos e com sua ingenuidade. Não há conflitos de interesse. Há simplesmente, uma nova percepção e um sentido de que chegou a hora do progresso das eras.

Chegamos nesta época para acalmar as águas da turbulência emocional humana. Permitimos até agora que as águas rodopiassem para ajudar os egos em suas aprendizagenm. Mas o Criador determinou um fim para a história. E nós somos os meios pelos quais haverá calmaria. Onde estivermos, a água se acalmará.

Caminhamos sobre a água cantando. Água pura, um coração humano amando. Água clara, os olhos do Criador que tudo vêem.

Colocando-nos acima de mares revoltos da ilusão que nos foi imposta, vemos a luz radiante de dez mil outros seres como nós. Seres de luz. Seres Alados. Os Ongwhehonwhe, regressando. O amor deles para com essas irmãs e irmãos de outrora explode em nossos corações.

Raio de luz brilhante disparam entre nós. Dez mil pontes de luz unem os corações. E sob cada ponte luminosa, a luz cai risonha sobre mares revoltos. Também essas águas são acalmadas, águas que ficam debaixo das pontes. Emergindo dos mares turbulentos, outros mais surgem para se juntarem a vocês. Deixam para trás suas reivindicações mesquinhas sobre este, aquele ou outro momento qualquer. Num momento maior, eles se fundem conosco; um momento magnífico. Eles sentem a rede de luz que envolve o planeta.

Tornan-se parte dela. Despertam na energia dos filhos da luz. Ao nosso lado testemunham o trabalho de equipe e colaboração dos povos reais. Eles vêem olham para o sol e conseguem visualizar o Cachorro do Sol. Nós vemos, afinal somos todos irmãos. Meus olhos continuam olhando as últimas chamas do Irmão Fogo dançando, quando os primeiros raios de Sol atingem meu corpo nu banhando-me com sua energia.

Sinto que algo está tocando esta Terra, algo que vem das estrelas. Algo está aterrisando nas águas calmas dos corações que confiam no Grande Espírito, falando aos corações das pessoas que amam. Cada onda de tempo que se quebra traz outro momento, outra abertura, outra passagem, convidando os filhos da Mãe Terra que despertam a sentir o farfalhar do espírito na consciência, a sentir o toque das Águias-Xamãs, a deixar acalmar as águas de seus corações e a viver cada momento com mais honestidade, carinho e compaixão como jamais sentiram. É assim que o equilíbrio do Arco Sagrado será restaurado.

Existe uma influência irradiando dos continentes americanos, aquecendo as sementes do potencial humano como a luz do sol aquece os jardins na primavera: uma consciência ancestral que toca a todos os que habitam essas terras, apoiando todos nossos passos rumo à liberdade e ao amor.
Apesar dos esforços dos conquistadores, a consciência nativa das Américas brinca nos balanços de nossos parques, voa nas nossas pipas sobre as cidades, marca o ritmo de nossas músicas, pulsa no coração de cada um de nós os Guerreiros do Arco-Íris.

Dã Nãho! Wi:Hyo:H! Lobo do Cerrado
(Wagner Frota) Membro-fundador do Clã Lobos do Cerrado
Paz e Harmonia. Yvytu.

sábado, 28 de março de 2009

Lista de Compras que não testam seus produtos em animais

"A Ciência pode ter encontrado a cura para a maioria dos males, mas ainda não achou remédio para o pior deles: a apatia dos seres humanos." - Hellen Keller, escritora e conferencista que ficou cega e surda-muda aos dois anos de idade.

"Se animais são inferiores a nós, por que testar nossos produtos neles? Onde está a superioridade nisso?"- Shimada Coelho

"Beleza antes de tudo é o que salta de dentro para fora. Não sei como pode-se manter a beleza externa dependendo do sacrifício de um animal" - Shimada Coelho


(Lista PEA)

Abaixo estão listadas as empresas que não testam em animais, a pesquisa é realizada pela PETA e PEA que são organizações de defesa dos animais.O consumidor vegano no entanto deve estar atento para o fato de que uma empresa que não testa seus produtos em animais, poderá no entanto estar usando insumos de origem animal nos mesmos. O caso clássico é o sabonete que geralmente é feito de sebo de bovinos.Acoselhamos aos consumidores veganos a lerem com atenção embalagens e rótulos em busca de pistas sobre os insumos usados na fabricação de determinado produto.

Abelha Rainha (cosméticos)
Marcas: Abelha Rainha

Adcos (cosméticos)
Marcas: Adcos

Afro Nature (cosméticos e tintura)
Marcas: Afro Nature, Keraseal, Nature Color, PHC, Semi di Lino, Top Fruit

Ag Fragrâncias (cosméticos)
Marcas: Ag

Água de Cheiro (cosméticos)
Marcas: Água de Cheiro

Akla (cosméticos)
Marcas: Pele Macia, Sliven

Allumé/Sunshine (cosméticos)
Marcas: Sunshine

All Vida (cosméticos)
Marcas: All Vida

Amend (cosméticos)
Marcas: Amend

Anaconda (cosméticos)
Marcas: Anaconda

Anantha (cosméticos)
Marcas: Anantha

Antídoto (cosméticos)
Marcas: Antídoto

Atelier do Banho (cosméticos)
Marcas: Atelier do Banho

Atol (produtos de limpeza)
Marcas: Atol

Avora (cosméticos)
Marcas: Avora

Bio Extratus (cosméticos)
Marcas: Bio Extratus

Búfalo (produtos de limpeza)
Marcas: Búfalo, Jet, Bull, Pinho Jet, Soft

Bonyplus (tintura)
Marcas: Beauty Color, Bio Shine, Bony Girls, Fructals, Power Colors

Cassiopéia (cosméticos, produto de limpeza e suco)
Marcas: Veraloe e Bio Wash

Clorofitum (cosméticos)
Marcas: Clorofitum

Coferly (cosméticos e tintura)
Marcas: Santantonio, Soavi Capelli

Condor (higiene oral, vassouras, rodos, esponjas)
Marcas: Condor

Contém 1g (cosméticos)
Marcas: Contém 1g

Contente (higiene oral)
Marcas: Contente

Cosinter (cosméticos)
Marcas: Red Aple, Maxi Belle, Maxi Trat

Davene (cosméticos)
Marcas: Davene, Sun Block

Driss (cosméticos)
Marcas: Driss, Empório Bothânico

Dr. Tozzi (cosméticos) NEW
Marcas: Dr. Tozzi

Ecologie (cosméticos)
Marcas: Ecologie

Embelleze (cosméticos)
Marcas: Afro Hair, Amaci Hair, Fleury, Frizzy Hair, Hair Life, Hannaya, Henê, Idealist, Indian Hair, Lisa Hair, Maxton, Natucor, Novex, Selise, Sempre Bella, Stillus, Super Relax, Toin, Urban Hair, Yes Color, Young Hair

Essence de La Vie (cosméticos)
Marcas: Essence

Esthetic (cosméticos)
Marcas: Belladonna, Esthetic

Extratophlora (cosméticos)
Marcas: Extratophlora

Farmaervas (cosméticos)
Marcas: Farmaervas, Celulan, Toltal Block, Tracta

Florestas (cosméticos)
Marcas: FlorestasFri Dog (ração vegetariana para cães)
Marcas: Fri Dog

Gotas Verdes (cosméticos)
Marcas: Gotas Verdes

Granado (cosméticos, bebês, pets)
Marcas: Granado

Guabi (ração para cães e gatos)
Marcas: Biriba, Faro, Fiel, Herói, Natural, Sabor e Vida, Cat Meal, Top Cat, Limpi Cat

Impala (cosméticos)
Marcas: Impala

Korai (cosméticos)
Marcas: Korai

Lavalma (cosméticos)
Marcas: Lavalma

L’aqua di Fiori (cosméticos)
Marcas: L’aqua di Fiori

Leite de Rosas (cosméticos)
Marcas: Leite de Rosas

Ludovig (depilação)
Marcas: Depilsam, Évora, Depi Linea

Mahogany (cosméticos)
Marcas: Amyr Klink, Mahogany, Lyoplant, Kevin Nickols

Master Line (cosméticos e tintura)
Marcas: Skala e Bell Soft

Max Love (cosméticos)
Marcas: Max Love

Nasha (cosméticos)
Marcas: Elke, Giovanna Baby, Phytoervas

Natura (cosméticos)
(aguardando confirmação oficial)
Marcas: Natura

Natustrato (cosméticos)
Marcas: Natustrato

Nazca (cosméticos e tintura)
Marcas: Acqua Kids, Maxi Color, Maxi Liss, Origem, Plusline, Ravor, Sphere

Niasi (cosméticos e tintura)
Marcas: Biocolor, Biorene, Risqué

O Boticário (cosméticos)
Marcas: O Boticário

OX (cosméticos)
Marcas: Ox

Prolev (suplementos, redução de peso, energizante)
Marcas: Guaraná, Levedura, New Diet, Sust´Up

Racco (cosméticos)
Marcas: Racco

Sabão Mauá (produtos de limpeza)
Marcas: Carícia, Fúria, Landa, Liptol, Mazal

Sensória (cosméticos)
Marcas: Sensória

Shizen (cosméticos)
Marcas: Lightner, Traty, Essenza, Charming

Surya Henna (cosméticos e tintura)
Marcas: Surya

Terractiva (cosméticos)
Marcas: Terractiva

Unisoap (cosméticos)
Marcas: Francis

Valmari (cosméticos)
Marcas: Valmari

Vita-a (cosméticos e tintura)
Marcas: Fio & Ton, Guanidina, Keraflex, Nippon, Omega Plus, Texture, Vita-a

Vita Derm (cosméticos e tintura)
Marcas: Vita Derm

Yamá (cosméticos e tintura)
Marcas: Depil Mist, Fragê, Yamá, Yamafix, Yamasterol

Ypê (produtos de limpeza)
Marcas: Holos, Ypê, Tixan

Weleda do Brasil (cosméticos)
Marcas: Weleda


Fonte:PEA - Projeto Esperança Animal

http://www.pea.org.br/

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Direitos humanos para Humanos Direitos

Quando as crianças sofrem abusos e maus- tratos,
Os animais estão em perigo!
Quando as pessoas sofrem abusos e maus- tratos,
Os animais também estão em perigo!
Quando os animais sofrem abusos, e maus- tratos,
O ser humano está em perigo!
O respeito dos homens pelos animais está ligado
ao respeito dos homens pelo seu semelhante.
(Unesco - 1978)
Video no Youtube
Apresentação em PPS
Lambeijokas
do Tetello
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