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Centelhas de Luz - Destaque pra vocês!

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Aprendendo com Animais

[Reproduzindo publicação da amiga Shimada Coelho]



Imagem de Junior Shimada - Jujuba

"Não vou reproduzir nenhuma imagem chocante aqui pois é madrugada de sábado e não sei em que situação você que está on line se encontra então, vou usar esta aqui para dizer algumas palavras que surgiram quando me deparei com algumas imagens chocantes...

Meu irmão alugou a casa que tenho aqui. Por isso, trouxe com ele sua cachorra, a Jujuba. Era complicado nos aproximarmos dela, principalmente quando está perto do meu irmão. Ela é um bom cão de guarda e super protetora. Mas, aos fins de semana meu irmão precisa se ausentar de casa. Apesar de deixar tudo o que ela precisa a disposição, sei que ela gosta de brincar, sempre dá uns passeios pela rua e passa todo o tempo com uma bola de tênis esperando a oportunidade de pedir que meu irmão jogue pra ela ir buscar. 

Esperei meu irmão sair e depois de constatar por cima do muro que ela não precisava de nada, deixei ela quase o dia todo me olhando através da brecha do portão. Ela rosnava, ameaçava atacar porque estava guardando a casa. Tentava aproximar a mão pra ela cheirar mas ela não se rendia.  Precisava que ela cheirasse minha pele para perceber através do olfato que eu não estava mal intencionada. Durante o mesmo período, fiz com que ela percebesse minha presença e ela respondia com latidos que deixavam claro que eu não era bem vinda. Observei ela todo o tempo, analisei seu comportamento para saber como poderia conquistá-la.

Hoje, precisava entrar lá para trocar a água. Pensei nos métodos que desenvolvi na infância, como envolver o braço com uma toalha e levar um petisco. Mas, queria comprovar através do comportamento duas coisas: que a mentalidade dos animais é igual a de uma criança de até 5 anos, e que eu realmente compreendo o comportamento de um animal.

Cheguei no portão e a chamei. Ela olhou pela brecha do portão rosnando. Falei com ela como se ela fosse uma criança com medo: - Olha, vou trocar a sua água e você vai deixar, tá? Já volto!

Entrei com um jarro de água e um pãozinho (cães gostam de pão). Abri o portão e ela latiu muito mas, percebendo que eu não recuava, ela quem recuou. Eu continuei entrando normalmente e estendi o pão para que ela pegasse. Ela rosnou, mostrou os dentes mas, percebeu que eu não me sentia intimidada então, correu para um canto. Com a certeza de que ela sentia medo, peguei a vassoura e fui varrer o quintal: ela rasgou o saco de carvão e espalhou tudo e pegou o vaso com a roseira e deixou vazio despedaçando toda a planta. Enquanto varria, perguntava se ela estava estressada. Ela me observava o tempo todo. Arrumei a cama dela e não demonstrei nenhum tipo de insegurança quanto a ela. Então, encontrei a bolinha. Me aproximei e ainda falando como quem fala com uma criança, perguntei se ela queria brincar. Ela não se movia. Então, comecei a bater a bolinha no chão explicando pra ela que eu sabia brincar. As orelhas dela se ergueram. Ela reagia conforme ia sentindo confiança, assim como as crianças.

A bolinha parecia ser a coisa mais importante pra ela depois do meu irmão. Se eu conseguisse fazer ela brincar comigo, conseguiria sua confiança. Fiquei um bom tempo brincando e falando diante dela até que ela ameaçou ir atrás da bolinha. Perguntei se ela queria brincar e a inseri na brincadeira. Umas 4 vezes ela não conseguia segurar a bolinha, embora tentasse. Cães são bons pegadores então, percebi que ela ainda estava insegura comigo. Continuei conversando com ela e passei a jogar a bolinha pra longe. Ela correu, pegou sem errar e voltou. Pronto! Ela passou a pegar a bolinha e oferecer para que eu jogasse. Depois de tanto buscar, ela já não deixava nos meus pés, segurava com a boca e pulava em mim como que querendo abraço e demonstrando intimidade. Brinquei bastante com ela. Mandei ela tomar um pouco de água e ela foi como que entendendo. Mandei pegar a bolinha e trazer e ela foi e pegou. Quando sai do quintal, ela queria ir junto. Mais tarde, peguei a guia e mostrei a ela: que festa! 

Precisava me certificar que minhas observações estavam corretas. Ela já havia demonstrado que iria se comportar do mesmo modo que faz com meu irmão: não iria deixar mais ninguém se aproximar. Então, conversei com o Rubens, expliquei umas coisas e pedi que ele entrasse comigo. Jujuba rosnou mas eu dizia: - Não, amor! É nosso amigo! Ele vai brincar de bolinha.

Peguei a bolinha e ela a seguia com os olhos. Me movimentei lentamente para que ela observasse eu entregando a bola na mão do Rubens e tocando a mão dele e disse: - Olha, o Rubens vai jogar pra você! Rubens não precisou do mesmo tempo que eu para ganhar a confiança dela, tanto é que fiz o mesmo com a guia, entregando a ele. Foi Rubens quem a conduziu pela rua.

Tudo isso foi para poder dizer que seria bom que todo ser humano interagisse com animais . Não para humaniza-los mas, para que eles ajudem a despertar ainda mais a humanidade em nós. Antes de querer ser aprovado e aceito pelas pessoas de sua espécie, aprenda mais sobre você mesmo com o auxílio de um animal.

Se um levantamento fosse feito com cada mãe que abandonou ou jogou no lixo um filho, iríamos saber que essas mulheres já abandonaram, ameaçaram abandonar ou maltrataram um animal.Uma pessoa que não consegue ver a si mesmo - assim como é - nos olhos de um animal, ainda não se encontrou. Nos animais, não temos que enxergar o filho que não temos ou a companhia que nos falta mas, a nós mesmos. Pois, quando eles nos olham, não enxergam outro animal da mesma espécie... Pelo modo que nos recebem e reagem a nós, parece que nos enxergam como se fossemos deuses descendo no mundo deles.

O mundo dos homens está a cada dia pior e mais louco. E muitas pessoas possuem animais em casa. Conforme eu, Rubens e Jujuba íamos passeando pelo quarteirão, todas as casas por onde passamos haviam um cão respondendo a nossa presença. Se o mundo piora a cada dia, as pessoas estão olhando para seus animais do modo errado. Não são seres inferiores. Não são algo sem sentido, sem função que só serve como adorno para o quintal ou como fuga para a solidão. É um ser vivo como você, com uma função neste mundo como você. Estando na sua casa, é ele que poderá te auxiliar a ser um humano melhor. E se você aprender a enxergá-lo deste modo, ele não irá parar por ai: será capaz de dar a própria vida para defender a sua.

Não sabe como fazer? Observe o animal que você tem em casa!" - Shimada Coelho - 09/02/2014

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Aprendendo com os Animais de Shimada Coelho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

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