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Centelhas de Luz - Destaque pra vocês!

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

+ sobre Cefaléia em Salvas

A Cefaléia em Salvas ou "Cluster Headache" é o tipo de dor de cabeça mais intensa descrita pela medicina, normalmente descrita pelos pacientes como sendo em "facadas". Não é tão comum como outras dores de cabeça primárias , como a enxaqueca e as cefaléias do tipo tensional. As causas desta dor ainda são desconhecidas, mas parece haver uma disfunção em um núcleo de uma importante estrutura cerebral chamada de hipotálamo, ligada à regulação dos ciclos de sono-vigília.

Salva é o período de tempo ( 2 a 4 meses) durante o qual ocorrem as crises de dor.


Como Reconhecer a Cefaléia em Salvas?

Esta dor se apresenta típica, mas não obrigatoriamente de um só lado e sempre do mesmo lado da cabeça, em volta do olho podendo também ser na fronte, têmpora e até face, de intensidade muito elevada e caráter excruciante ou lancinante, durando de 15 minutos a 3 horas e aparecendo em dias seguidos ou alternados, entre 1 a 8 vezes por dia. Freqüentemente se manifesta em horas semelhantes e comumente acorda os seus portadores no meio da noite fazendo-os pular fora da cama antes de totalmente acordados, tal a intensidade com que se inicia. Geralmente é associada com vermelhidão ocular, lacremejamento e entupimento nasal (as vezes com corrimento nasal) do mesmo lado da dor. A dor em geral dura de 2 a 4 meses por ano, desaparecendo sozinha para retornar após períodos variados de tempo que podem chegar a anos, comumente nas mesmas épocas. Por vezes, a dor evolui para ausência de remissões ou períodos sem dor ou já começa sendo permanente, o que se constitui na modalidade Crônica de cefaléia em salvas. Os pacientes que sofrem de cefaléia em salvas adotam medidas desesperadas como "bater com a cabeça na parede" e até tentarem o suicídio.

Há estudos recentes sugerindo a relação entre a cefaléia em salvas e distúrbios do sono como apnéia e ronco. Os mecanismos que deflagram as crises são desconhecidos mas durante as crises ocorrem alterações do tipo edema (inchação) e tortuosidade na parede da artéria carótida interna em determinados trechos de seu trajeto dentro do crânio. Já se sabe que a cefaléia em salvas não é causada por alergias, fumo, álcool e herança genética (apesar de trabalhos recentes sugerindo ligação genética entre o cluster e pacientes com enxaqueca). É comum estes pacientes serem erradamente diagnosticados como portadores de enxaqueca, neuralgia do trigêmeo e dor facial atípica, sendo muitas vezes submetidos a terapias erradas e esdrúxulas como laser, prescrição de antiepiléticos, cirurgias e outras.


Abaixo podemos observar a face típica de um sofredor de cefaléia em salvas.
"ilustração de Frank Netter extraída do livro Headaches- Clinical Symposia"


Quem sofre de Cefaléia em Salvas?
Compromete de 0,1 a 0,4% da população sendo que os homens são mais acometidos que as mulheres em uma proporção de 9 para 1.


Tratamento
O tratamento para a cefaléia em salvas é dividido em tratamento das crises e tratamento preventivo.


O ideal é que se trate preventivamente a dor para que ela não chegue a se manifestar. Para isto, usam-se medicamentos em caráter diário como por exemplo o Verapamil e a Metisergida que são tomados em doses variadas e por um período de tempo de 2 a 4 meses (ou enquanto durar o surto), a partir do momento em que o ciclo de dor se reinicia.
Se ainda assim as crises de dor se manifestam, o tratamento também é feito com medicamentos, que excluem analgésicos comuns muitas vezes prescritos incorretamente. O mais eficaz destes medicamentos é o Sumatriptano injetável subcutâneo que pode fazer a crise desaparecer em 10 a 15 minutos. Também pode-se usar a inalação de oxigênio a 100%, 7 a 8 litros por minuto por 10 a 15 minutos com o paciente sentado com os cotovelos sobre as coxas e tronco inclinado para frente.

É muito importante ressaltar que o tratamento correto consegue aliviar e reduzir significativamente esta dor na grande maioria dos pacientes.

As dicas deste portal não dispensam a consulta a um especialista ou acompanhamento de um médico. Queremos apenas ser fonte de orientação e estudo.


Um comentário:

Célia Barcellos disse...

Não conheço esta cefaleia, mas quero deixar um testemunho: deixei de ter dor de cabeça quando deixei o açucar (sacarose) refinado. Quando isto aconteceu, tentei achar na Internet, alguma matéria sobre esta relação sacarose/cefaléia, mas não apareceu nada! Só recentemente achei uma declaração semelhante á minha no livro Sugar Blues.

Obrigada,
Celia