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Centelhas de Luz - Destaque pra vocês!

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Abelhas em Extinção

Seguem abaixo três matérias importantes sobre a extinção de abelhas no planeta. Como sempre a cadeia que sobrevive hoje em dia é a da degradação: consumismo > produção em massa > extrativismo > exploração > consumismo= escassez!



Apicultores do Algarve alertam

Abelhas em vias de extinção

Albert Einstein disse um dia que “se as abelhas desaparecerem, os humanos também desaparecerão em quatro anos”. Uma citação que é cada vez mais mais pertinente. Em 2006, as abelhas começaram a desaparecer em grande número por todo o mundo. A «desordem de colapso das colónias (Colony Collapse Disorder)» ou «Síndrome de Marie Celeste» tem muitas causas possíveis. Nem todas são devido a factores ambientais, mas uma coisa é certa, as abelhas estão com problemas à escala global. E aqui no Algarve, os apicultures também já começam a senti-lo...

“As abelhas estão em vias da extinção”, diz José Júlio Santos Glória, 54 anos, de Portelas. “É muito triste. E a cada ano, há menos mel a ser produzido.”

Esta entrevista decorreu recentemente numa garagem que Santos Glória converteu numa pequena indústria de produção de mel. Há pipas de aço inoxidável destinadas a vários tipos de mel - e todo o tipo de maquinaria e engenhos para espremer, filtrar e separar o mel.

Porém, o mais interessante são os outros visitantes presentes. As abelhas. Dezenas e dezenas. Enxames por toda a parte! Por cima da maquinaria, no ar, a saborear o mel - a oficina está literalmente repleta de zumbidos.

“Quem me dera que elas não fizessem isto!”, confessou Santos Glória olhando para o tecto onde muitas abelhas voavam em redor da lâmpada de neon. “Não é alérgica a abelhas, pois não? Bem, por enquanto elas são bastante pacíficas, não deviam picar”...

Na verdade, elas não picaram - e por alguma razão, eu nem sequer estava preocupada com o facto de puderem atacar. Estava mais interessada em perceber como estas criaturas maravilhosas que recolhem o pólen das flores e que sustentam a natureza estão ameaçadas de extinção.

“Existem muitas razões”, considera Santos. “As abelhas sempre tiveram que preocupar com parasitas e predadores, mas actualmente, têm que lidar com o problema dos pesticidas, com a radiação causada pelos telemóveis, pelas alterações nas linhas eléctricas - e com o próprio Governo!”, diz.

Com o Governo?

“Sim, há tantas exigências! Tantas obrigações! Há pouco tempo atrás estive num encontro sobre apicultura no Algarve. Sentei-me algures mais atrás e apercebi-me que tudo o que eu via à minha frente eram carecas! Todos os que estavam na sala tinham a minha idade ou então, eram ainda mais velhos que eu! O que nos mostra isto? Diz-nos que os jovens não trabalham na apicultura. O Governo deveria fazer esforços no sentido de garantir a sustentabilidade e continuidade desta actividade. Deveria encorajar os jovens a dedicarem-se. Mas a realidade é que a única coisa que o Estado faz é tornar as coisas mais complicadas - e a apicultura sempre foi menosprezada em relação à agricultura”, considera.

“Cerca de 200 apicultores de todo o Algarve estavam presentes no encontro. Todos bastante preocupados com os produtos que eram obrigados a usar para afastar o parasita do momento, a varroa. Esses pesticidas são extremamente caros e ninguém está convencido que sejam cem por cento eficazes. Em Espanha, por exemplo, existem produtos muito mais baratos - mas não são autorizados em Portugal. Se formos apanhados a utilizá-los, incorremos em multas pesadas. Mas se usarmos os produtos autorizados pelo Governo, e se as nossas abelhas morrerem, será que temos direito a receber alguma compensação? São questões como estas que estão a dar cabo a indústria da apicultura.”

Por lei, José Júlio é obrigado a tratar das suas colmeias duas vezes por ano com um produto aprovado pelo Governo, cujos custos atingem os 6 euros por colmeia. Após uma longa vida dedicada à apicultura, José está a caminho de ter 400 colmeias, o que eleva o custo dos tratamentos para os 4.800 euros por ano.

“É uma fortuna! Basta fazer as contas do que se gasta com os produtos e tudo mais o que é necessário para satisfazer as regras e regulamentações impostas pelo Estado, mais a Segurança Social e o combustível utilizado para visitar as colmeias, para se chegar à conclusão de que estamos a trabalhar para o Governo!

Na verdade, o consenso a que se chegou no encontro de apicultores organizado pela Direcção-Geral da Agricultura do Algarve é que chegou a altura de desistir.

“Os mais velhos não têm paciência para esse tipo de complicações”, explica Santos Glória. “A apicultura é uma actividade de alto risco e incerta. O futuro não é risonho”.

A actividade também não tem sido ajudada pelo surgimento de centros comerciais como cogumelos.

“Antigamente, costumava vender o meu mel num grande número de pequenas mercearias, bem como no mercados da fruta e dos legumes do Sábado, em Lagos”, disse. “Hoje, muitas destas pequenas lojas fecharam - e os centros comerciais compram o mel aos grandes produtores. Grande parte nem sequer é mel de verdade!”, reclama.

“O melhor mel do mundo é produzido aqui, no Algarve”, salienta. “Mas, por exemplo, este ano, estou a recolher só 4 a 5 quilos de mel de cada colmeia. Deveriam ser 20 a 30 quilos - mas este foi um ano mau devido à altura em que a chuva chegou”.

“Faz ideia de quantas flores uma abelha tem que visitar para produzir um quilo de mel?”, dispara. “Dois milhões!”

Apesar de todos estes problemas, Santos Glória tem uma paixão invulgar pelas abelhas. “Tenho paixão pelas abelhas desde os meus sete anos de idade!”, sorri. “Mas agora disse ao meu filho que, quando ele completar 20 anos, se quiser o negócio e dele!” Também lhe disse que não será tarefa fácil”.

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