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Centelhas de Luz - Destaque pra vocês!

terça-feira, 9 de junho de 2009

Siga a Pegada

Por Bruno Loturco e Joana Carvalho, da Revista Sustenta

Consumir produtos orgânicos, dar preferência ao transporte coletivo - ou, no máximo, transporte individual com uso de energia renovável e não-poluidora -, promover a reciclagem e lutar pela manutenção de áreas verdes das cidades. Essa seria a cartilha básica de quem quer ter uma vida correta do ponto de vista da sustentabilidade. Mas não é tão simples assim. Diversas outras ações do dia-a-dia deixam rastros no meio ambiente.

É isso o que propuseram os pesquisadores William Rees e Mathis Wackernagel ao escreverem o livro Our Ecological Footprint: Reducing Human Impact on the Earth ("Nossa Pegada Ecológica - Reduzindo o Impacto do Ser Humano na Terra", não lançado no Brasil). A partir desse conceito de "pegadas", é possível estimar como o estilo de vida dos indivíduos se relaciona com a capacidade da natureza de oferecer e renovar seus recursos e absorver os resíduos das atividades humanas.

Esse sistema de medição compara a capacidade de todas as porções de terra e mar biologicamente produtivas à demanda por recursos naturais e os resíduos a serem absorvidos. As áreas consideradas produtivas são aquelas que atendem à demanda humana por comida, fibras, madeira, energia e espaço para infraestrutura. Florestas, lavouras e pesqueiros são produtivos de acordo com essa definição. Desertos, glaciares e o mar aberto, não.

Para calcular o tamanho da pegada de um indivíduo ou de uma corporação, é necessário considerar o material biológico consumido e os resíduos gerados durante um ano. Basta ver qual é o tamanho da área produtiva demandada para a produção e descarte de todo esse material e converter para a quantidade de hectares equivalente. A soma dos hectares necessários para dar conta da demanda é o que define a pegada ecológica.

"Estudos que se baseiam nos padrões da organização Ecological Footprint utilizam hectares globais como unidade de medida, o que torna os cálculos comparáveis", conta Raquel Garcia, da gerência de comunicações da Earth Day Network. "A pegada ecológica pode ser calculada para indivíduos, grupos de pessoas - como um país - e atividades como a fabricação de um produto", complementa.

Pelos parâmetros adotados para essa medição, cada ação, por menor que seja, deixa um rastro. "Não existe impacto zero. A forma de aquecimento da água do banho, por exemplo, já começa a caracterizar sua pegada", explica o consultor ambiental João Paulo Altenfelder, da SEI Consultoria. Escovar os dentes, preparar o almoço, lavar o carro, ir ao cinema são atividades que também influenciam o meio ambiente.

Muitas dessas ações são feitas quase instintivamente pelas pessoas, que acabam desperdiçando recursos sem perceber. "As ações que contribuem para a pegada ecológica são aquelas comportamentais, especialmente as que envolvem consumo de energias não-renováveis, como alimentação, hábitos, consumo, moradia e transporte", explica Francisco Maciel, da Iniciativa Verde. "É preciso repensar as atividades realizadas diariamente, sempre com foco em redução de consumo, reutilização e reciclagem".

Dicas para o dia a dia

Confira algumas ações simples que podem ser adotadas na sua casa, no escritório ou na escola para reduzir o impacto que você provoca no ambiente

Seja minimalista

Um jeito fácil de conservar energia é simplesmente comprar menos para estimular menos o consumo de energia necessário à produção. Ao evitar comprar itens dos quais não precisa, a equação de energia muda ao longo de toda a cadeia.

Troque suas lâmpadas

Lâmpadas fluorescentes compactas duram até dez vezes mais e usam um terço da energia despendida pelas incandescentes. Além disso, desligue as lâmpadas que não estão sendo usadas e priorize a luz natural. Ao trocar as cinco lâmpadas mais utilizadas na sua casa, você reduzirá as suas emissões anuais de gases causadores do efeito estufa entre 100 e 499 kg.


Meu carro, meu mundo

Alguns automóveis consomem mais CO2 do que casas inteiras. A recomendação mais óbvia é priorizar o transporte coletivo, a caminhada, as caronas ou bicicletas. Mas, mesmo que isso não seja viável, é possível reduzir o impacto mudando a maneira de utilizar o carro. Prefira modelos econômicos, híbridos e/ou movidos a álcool. Tendo cuidado com a manutenção do carro - como realizar as revisões em dia -, o desgaste do veículo é menor. Um motor desregulado pode consumir 50% mais combustível e produzir 50% mais CO2.

Essas iniciativas são significativas, pois podem representar redução nas emissões de mais de 500 kg por ano.


Bom senso ao regular a temperatura da casa

Grande parte dos custos de energia vem da necessidade de aquecer ou resfriar as residências. Substitua o ar condicionado pelo ventilador ou ventilação natural.

Se não for possível, troque aquecedores e aparelhos de ar condicionado antigos e mantenha os equipamentos revisados.


Dome seu refrigerador

Geladeiras são responsáveis pelo consumo de 10% a 15% da eletricidade de uma casa. Se possível, substitua seu refrigerador velho, que chega a ser 50% menos eficiente, por um novo. Se tiver mais de um, tente organizar-se para manter apenas um ligado. Também é possível reduzir o consumo regulando o termostato, posicionando a geladeira longe de correntes de vento e do sol. Mantenha o condensador limpo e cheque o isolamento das borrachas para que a porta não deixe entrar calor por frestas.

Verifique os eletrodomésticos

Além de geladeiras, outros grandes consumidores de energia são o aquecedor de água, a lavadora e secadora de roupas e a lava-louças. Para economizar, utilize o modo econômico do aquecedor e o timer para desligá-lo à noite. Quando possível, lave alguns pratos à mão ou espere acumular louça suficiente para lotar a lavadora, que deve utilizar água morna, não quente. Evite deixar os computadores ligados desnecessariamente e os configure para desligar o monitor quando não estiver em uso.


Atenção ao plantar

Plantar árvores é bom, certo? Sim, mas é preciso cuidado. Árvores retiram carbono do ar, mas liberam dióxido de carbono quando morrem. Então, não chegam a ser uma resposta definitiva ao excesso de gás carbônico na atmosfera.

De qualquer maneira, há outros motivos para plantar árvores, como deixar o clima mais arejado e úmido. Há entidades que calculam a quantidade de árvores necessárias - de acordo com a sua rotina e produção mensal de CO2 - e, mediante algum tipo de colaboração, fazem o plantio em áreas de reflorestamento para a reconstituição de ecossistemas naturais devastados.


Pense orgânico

Quando pesticidas químicos são utilizados, eles também matam microorganismos que mantêm o carbono contaminado no solo. Quando eles morrem, alem de liberar CO2 na atmosfera, o solo deixa de ser naturalmente fértil e passa a exigir fertilização química. Além de optar por produtos orgânicos, dê preferência a alimentos produzidos em locais próximos de sua casa e coma frutas e vegetais da estação. Produtos fora de época são trazidos de outras regiões, o que significa poluição com transporte e prejuízo para a economia local. Se possível, mantenha uma horta.


Cuide da água

É o recurso mais impactado pela atividade humana, pois está relacionado a quase tudo o que se consome e produz. Por isso, o cálculo da pegada contempla a poluição de rios, lagos e oceanos por meio da geração de esgoto e do descarte de resíduos. Para reduzir esse problema, deixe a torneira fechada ao fazer a barba, escovar os dentes ou lavar a louça. Só abra ao enxaguar. Além disso, nunca use mangueiras para lavar calçadas, quintais e carros e junte bastante roupas antes de lavar e passar.


Evite imprimir

Reduza ao máximo o consumo de papel. Priorize o e-mail, não imprima se for possível ler na tela do computador e, sempre que possível, utilize papel reciclado ou o verso de folhas já usadas. Separe papéis e papelão para reciclagem. Isso vai ajudar você a reduzir as emissões de gases em até 100 kg por ano.






FONTE: YAHOO


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