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domingo, 28 de setembro de 2014

Porcos são tão inteligentes quanto cães, dizem cientistas



Porcos são tão inteligentes quanto os cachorros, dizem os cientistas. Porque então comemos um e não o outro?
Porcos são tão inteligentes e sociáveis ​​como os cães, dizem os cientistas. No entanto, uma espécie recebe afeição e carinho enquanto a outra encara o caminho para o abate, para se tornar bacon, presunto e costelas suínas.

Buscando tirar proveito sobre essa disparidade, os defensores dos direitos animais estão lançando uma campanha chamada “The Someone Project” que tem como objetivo destacar a pesquisa retratando os porcos, galinhas, vacas e outros animais como mais inteligentes e emocionalmente complexos do que geralmente se acredita. A esperança é que mais pessoas possam ver esses animais com a mesma empatia que vêem cães, gatos, elefantes, macacos e golfinhos.

"Quando você perguntar às pessoas por que elas comem galinhas e não gatos, a única coisa que eles podem argumentar é que acham que os cães e gatos são cognitivamente mais sofisticados do que as espécies que comemos - e nós sabemos que isso não é verdade", disse Bruce Friedrich da Farm Sanctuary, organização de proteção dos animais e em defesa dos veganos, que está a coordenando o novo projeto. 

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"O que isso se resume é que as pessoas não conhecem os animais da maneira que conhecem os cães ou gatos", disse Friedrich. "Nós somos uma nação de amantes dos animais, e os animais que encontramos são, com mais frequência, os animais que pagamos para outras pessoas matarem, para que possamos comê-los”

Lori Marino, cientista-chefe do projeto e professor de psicologia na Universidade de Emory, já fez várias pesquisas sobre a inteligência de baleias, golfinhos e primatas . Ela pretende rever a literatura científica existente sobre a inteligência dos animais, identificar áreas que justifiquem uma nova pesquisa e preparar relatórios sobre suas descobertas, que serão distribuídos em todo o mundo por meio das mídias sociais, vídeos e palestras em conferências científicas.

"Eu quero ter certeza de que tudo isso é levado a sério", diz Lori. "A questão não é a classificação desses animais, mas sim a reeducação das pessoas sobre quem eles são. Eles são animais muito sofisticados".

Para Lori e Friedrich, ambos veganos, o projeto tem dois objetivos: construir apoio público mais amplo para o tratamento humanizado aos animais de fazenda e aumentar o número de americanos que optam por não comer carne.

"Este projeto não é uma forma bruta de transformar pessoas em veganas do dia para a noite, mas sim de dar a eles uma nova perspectiva, e talvez fazê-las sentir um pouco desconfortáveis [em comer carne]", diz Lori.

"Talvez as pessoas poderiam pensar: 'Humm, eu não sabia que vacas e porcos podem reconhecer uns aos outros e ter amigos especiais'", disse ela. "Isso pode fazê-las sofrer um pouco, mas tudo bem". 

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As principais associações que representam os produtores de frango e carne de porco dizem que os agricultores que eles representam tomaram atitudes para minimizar o tratamento cruel de animais de fazenda.

"Enquanto os animais criados para alimentação têm um certo grau de inteligência, Farm Sanctuary está tentando humanizá-los para divulgar a agenda vegana – e acabar com o consumo de carne", disse David Warner, do Conselho Nacional de Produtores de Carne de Porco. "Os veganos têm o direito de expressar sua opinião – e nós respeitamos esse direito – eles, porém, não devem forçar o estilo de vida deles em outras pessoas".

Gwen Venable, da Associação de Aves e Ovos dos Estados Unidos disse que aves fornecem uma valiosa fonte acessível de proteína.

"Os consumidores devem poder escolher sua comida com base nas suas próprias preferências alimentares e necessidades nutricionais, sem ser indevidamente influenciados pela campanha de qualquer grupo", ela escreveu em um e-mail. "Nós não sentimos que a campanha da Farm Sanctuary é razoável, porque o objetivo final da campanha seria erradicar as aves e suínos das dietas dos consumidores."

Thomas Super do Conselho Nacional de frango disse que os esforços para vincular animais de fazenda com animais domésticos foi parte de uma estratégia para criar uma "sociedade livre de carne." Ele também afirmou que os agricultores e as empresas envolvidas na criação de galinhas têm interesse em assegurar que eles são saudáveis ​​e bem tratados.

Enquanto o “The Someone Project” vai abranger várias espécies de animais de fazenda, os porcos tendem a ser um dos temas principais, dada a amplitude dos estudos anteriores que dizem respeito à inteligência e comportamento deles. Alguns pesquisadores dizem que as habilidades cognitivas dos porcos são superiores às crianças de 3 anos de idade, bem como para cães e gatos.

A ONG PETA (sigla em inglês para Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais) tem uma seção no site intitulado "As Vidas Ocultas dos Porcos", que retrata os porcos como animais sociais, brincalhões e protetores, com um vocabulário de mais de 20 diferentes óincs, grunhidos e guinchos.

"Os porcos são conhecidos por sonhar, reconhecer seus próprios nomes, aprender truques como sentar para um divertimento e levar vidas sociais de uma complexidade anteriormente observada apenas em primatas", diz o site. "Assim como seres humanos, os porcos gostam de ouvir música, brincar com bolas de futebol e receber massagens".

O site relata notícias de porcos salvando a vida de seres humanos ameaçados e pulando de caminhões com destino ao matadouro, para se salvarem.

Bob Martin, um especialista em sistemas de alimentos na Escola de Saúde Pública Johns Hopkins, disse que desenvolveu uma apreciação da complexidade emocional dos porcos enquanto trabalhava recentemente como diretor-executivo na Pew Commission on Industrial Farm Animal Production.

"Porcos em celas de gestação mostram muitos sinais de depressão", disse ele. "Quando fui para uma operação de fazenda em Iowa, onde os porcos não foram confinados, eles vieram correndo para cumprimentar o fazendeiro como se fossem cães. Eles queriam interagir com ele."

Bernard Rollin, professor de filosofia e ciência animal na Universidade Estadual de Colorado, disse que espera que um número crescente de quem come carne se junte àqueles que exigem mudanças na forma como os suínos são alojados em muitas instalações de grande porte.

"Você tem que ter uma cegueira ideológica para pensar que esses animais não são inteligentes", disse Rollin. "Espero que a gente volte para uma agricultura que invista mais nas necessidades biológicas e psicológicas da natureza dos animais em vez de trabalhar contra eles."

"O problema é que estamos acostumados a vê-los como rebanhos", disse ele. "Você vê mil vacas ou porcos e pensa, 'Oh, eles são todos iguais." Na verdade, porém, existem grandes diferenças individuais. "

De acordo com a Farm Sanctuary, as vacas se animam com desafios intelectuais, as galinhas podem decifrar labirintos e antecipar o futuro, as ovelhas podem se lembrar dos rostos de dezenas de seres humanos individuais e de outras ovelhas por mais de dois anos.

Existem pesquisas sugerindo que campanhas como o “The Someone Project” podem progredir influenciando os consumidores.

Um estudo recente, que examinou dúvidas que as pessoas têm sobre comer carne, os psicólogos da Universidade de British Columbia, Matthew Ruby e Steven Heine, concluíram que o nível de inteligência do animal era a principal preocupação.

Outro estudo recente realizado por pesquisadores de universidades da Austrália e Grã-Bretanha concluiu que muitos que comem carne experimentam um conflito moral se lembram-se da inteligência dos animais que estão consumindo.

"Embora a maioria das pessoas não se importem em comer carne, eles não gostam de pensar de animais que estão comendo como tendo mentes inteligentes", escreveram os pesquisadores em Personality e Social Psychology Bulletin.

Fonte: Último Segundo - IG

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