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Centelhas de Luz - Destaque pra vocês!

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

PROIBIÇÃO DO COMÉRCIO DE QUAISQUER OBJETOS DE MARFIM NO BRASIL (stop the ivory trade in Brazil)

[Três alunas do Ensino Médio da cidade de São Paulo criaram uma petição que hoje mobilizou em massa a rede social. Nós, apoiamos a causa e chegamos hoje a marca de 5.000 assinaturas e continuam entrando mais.

Escolhemos estes dois artigos para que você tenha total compreensão da importância de um animal no ciclo natural do ecossistema e também saiba o porque a população de elefantes se reduz drasticamente ao ponto deste animal estar em vias de extinção. 

Ao final da leitura - se tiver chegado a uma conclusão a respeito - você encontrará um link para a petição no AVAAZ que pede uma lei que proíba a venda e compra de objetos feitos à partir do marfim retirado violentamente dos elefantes.

Fica ao seu critério assinar ou não.]



O que acontece quando uma espécie-chave é extinta?


por William Harris - traduzido por HowStuffWorks Brasil
 
 
Algumas das estruturas mais persistentes da história são os aquedutos construídos pelos antigos romanos para levar água das montanhas para as áreas densamente povoadas. Muitos ainda operam hoje, mais de 2.000 anos depois de iniciarem o serviço. O que torna os aquedutos tão fortes é a cascata de arcos apoiando a estrutura. Se você examinar um desses arcos, verá que ele consiste de uma série de tijolos - o que os engenheiros chamam de voussoirs - suportados no centro por uma pedra angular (pedra de fecho ou pedra do topo). Quando a pedra de fecho está na posição, o arco pode se sustentar indefinidamente. Se você remover essa pedra-chave, a estrutura inteira desaba.
 
A Pont du Gard, aqueduto romano na França, é um exemplo de longevidade estrutural; retire a pedra fundamental de um dos arcos e toda a estrutura de 2.000 anos desmoronará
A Pont du Gard, aqueduto romano na França, é um exemplo de longevidade estrutural; retire a pedra fundamental de um dos arcos e toda a estrutura de 2.000 anos desmoronará
 

Em 1969, o zoólogo Robert T. Paine percebeu que certas espécies em um ecossistema funcionam do mesmo modo que uma pedra angular no arco romano. Ele cunhou o termo espécie-chave para descrevê-las.  Tais espécies têm um papel essencial na estrutura, no funcionamento ou na produtividade de um ecossistema e, como a ponte romana, impede que o ecossistema desintegre-se. Espécies-chave não ganham essa distinção pela sua abundância, mas pela influência. Elas podem ser carnívoras ou herbívoras, plantas ou animais, marinhas ou terrestres. Podem ser muito mais altas que você, como um elefante, ou caber na palma da sua mão, como uma estrela-do-mar.
 
 
Foi, na verdade, uma espécie particular de estrela-do-mar que levou ao desenvolvimento do conceito de espécie-chave de Paine. A estrela-do-mar era a Pisaster ochraceous, que vive nas comunidades rochosas na faixa cobertas pela maré no oeste da América do Norte e se alimenta de  mexilhões. Quando Paine removeu a Pisaster de uma área da Baía Mukkaw, em Washington, ele observou uma drástica diminuição na diversidade de espécies. A população de mexilhões, claro, explodiu, mas as outras espécies viram seus números declinarem drasticamente. Das 15 espécies contabilizadas no começo do experimento, apenas oito restaram no fim. Em uma área de controle da qual a Pisaster não havia sido removida, Paine não observou quaisquer mudanças na diversidade de espécies.
 
 
Paine caracterizou a Pisaster como uma espécie-chave. Logo depois, ecologistas e biólogos em todo o mundo saíram à caça de identificar outras espécies. Como Paine, para encontrá-las eles usaram experimentos de remoção - tirando uma única espécie, registrando as mudanças que ocorriam e devolvendo os organismos aos seus habitats quando o experimento terminava. No decorrer das décadas seguintes, a lista de espécies-chave cresceu para incluir uma ampla variedade de organismos, incluindo lontras marinhas, vespas parasitas, elefantes, tubarões-tigre, bem como morcegos e pássaros que ajudam na polinização.O pássaro dodô entraria na lista também


O novo ouro branco e a extinção dos elefantes africanos


14:19, 7/03/2013 REDAÇÃO ÉPOCA
 
 
Nas florestas da África Central e Ocidental vivem populações de uma espécie bem menos conhecida de elefantes, os elefantes africanos da floresta (Loxodonta cyclotis). Menores do que os elefantes africanos da savana (Loxodonta africana) e os elefantes asiáticos (Elephas maximus), esses elefantes têm presas mais finas e mais retas e seu marfim é mais firme e mais róseo, o que o torna ainda mais desejado e valorizado pelos artesãos e comerciantes de objetos de marfim.
 
As três espécies de elefantes são os restos do que já foi uma rica árvore genealógica. Os elefantes evoluíram por mais de 50 milhões de anos, de pequenas criaturas a animais de porte cada vez maior, de vida longa, que dependem de deslocamentos através de grandes distâncias em busca de comida, água, minerais e parceiros sociais e reprodutivos. Infelizmente, devido à escalada do preço do marfim, seu futuro é cada vez mais incerto.
 
As diferenciadas presas que ostentam os pequenos elefantes africanos da floresta os tornaram alvo dos caçadores ilegais e, hoje, essa espécie é a mais ameaçada das três. Estudos apontam um declínio de 60% em sua população nos últimos dez anos.
 
 Elefantes africanos da floresta (Loxodonta cyclotis) saem da floresta, com lama pelo corpo (Foto © Melissa Groo)
Elefantes africanos da floresta (Loxodonta cyclotis) saem da floresta, com lama pelo corpo
(Foto © Melissa Groo)
 

O maior mamífero terrestre de nosso planeta, o elefante africano da savana, com presas que podem chegar a quase 100 quilos cada, também está sendo massacrado por causa de seu marfim: apenas no ano passado, estima-se que tenham sido mortos entre 40 mil e 50 mil elefantes africanos da savana. Isso pode representar mais do que 10% da população remanescente da espécie. Ambas espécies somavam juntas, em 1979, 1,3 milhão de elefantes. Em 2008, os números já indicavam um acentuado declínio na população: cerca de 100 mil a 160 mil elefantes africanos da floresta e de 490 mil a 575 mil elefantes africanos da savana. No sul do Sudão, a população de elefantes, estimada em 130 mil em 1986, caiu para 5 mil no ano passado.
 
A África está no centro de uma chacina de elefantes sem precedentes e as duas espécies podem chegar à extinção em pouco tempo, caso não seja interrompido o comércio de marfim e sufocada a rede relacionada a ele, formada por caçadores – a serviço de grupos armados que usam as presas dos elefantes para sustentar suas violências -, contrabandistas, artesãos, comerciantes e consumidores.
 
A China é responsável pelo entalhe e pelo comércio da maior parte dos objetos vendidos no mundo. Devido a uma forte demanda, fomentada pelo aumento de renda na Ásia e pelos costumes culturais, o preço do marfim está muito elevado, e cada vez mais pessoas entram no negócio. Em dezembro de 2012, o quilo do marfim bruto na Bacia do Congo valia 300 dólares (R$590) e na China 2.900 dólares (R$5.700). Um pequeno pingente era vendido por cerca de 800 dólares (R$1.570) em lojas chinesas.
 
Os cidadãos chineses não possuem informações claras sobre o massacre dos elefantes. Muitos acreditam que as presas caem naturalmente ou que vêm de elefantes que morreram naturalmente. Mas 90% do marfim no mercado vem de elefantes mortos ilegalmente. O governo chinês está sendo pressionado a tomar as atitudes necessárias, proibindo o entalhe e o comércio de marfim. Assim, a vida de dezenas de milhares de elefantes podem ser salvas. “Cada nova presa no mercado significa morte, trauma e destruição. A caça ilegal compromete a biodiversidade e ameaça o turismo, a sobrevivência das pessoas e a estabilidade de muitos países”, afirma Joyce Poole, cofundadora da ONG ElephantVoices e renomada especialista em elefantes.
 
A ElephantVoices executa projetos de conservação no Quênia e agora inicia uma campanha mundial para atingir a China e consumidores no mundo todo. Para isso, a artista nova-iorquina Ashley Jay criou ilustrações com palavras em chinês e inglês. A mensagem é clara: os elefantes serão extintos a curto prazo se não for interrompido, imediatamente, o comércio de marfim. “A única maneira de parar a matança de elefantes é sufocar a demanda por marfim e parar o comércio”, diz Poole.
 
A campanha está sincronizada com a conferência da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção, a CITES. Na abertura da convenção, em 3 de março, em Bangcoc, a Primeira Ministra da Tailândia Yingluck Shinawatra prometeu proibir o comércio de marfim no país, onde o proveniente de elefantes domesticados é legalizado e quantidades gigantescas de presas de marfim contrabandeadas da África são entalhadas e vendidas como se fossem marfim legal. O país só fica atrás da China como responsável pelo fomento do massacre de elefantes na África.
 
A convenção discute um mecanismo para o comércio de marfim, mas a decisão não será tomada antes de 2015. Conservacionistas temem que a simples discussão de uma política para o comércio de marfim estimule ainda mais sua demanda. “Em 1989, os elefantes estavam quase extintos e a CITES proibiu o comércio de marfim. Porém, aprovou vendas de estoques apreendidos para a China e para o Japão, criando um novo holocausto para os elefantes”, afirma Petter Granli, diretor executivo do ElephantVoices. 
 
Os elefantes asiáticos, cuja maioria não tem presas, também são caçados por causa do comércio de marfim. Porém, a maior ameaça à sobrevivência da espécie é a retirada de indivíduos da natureza para trabalharem em turismo na Tailândia. Entre 50 e 100 filhotes e fêmeas jovens de elefantes são removidos de suas florestas natais em Mianmar a cada ano, para serem comercializados ilegalmente e suprir campings de turismo na Tailândia. O Laos, antes conhecido como “a terra de um milhão de elefantes”, hoje tem apenas entre 300 e 500 elefantes selvagens.
 
 
(Junia Machado, da ONG ElephantVoices)


As autoras desta petição são Sophia Sartori, Ana Maria Guidi e Marina Fulfaro -estudantes do Ensino Médio da cidade de São Paulo.
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PROIBIÇÃO DO COMÉRCIO DE QUAISQUER OBJETOS DE MARFIM NO BRASIL(stop the ivory trade in Brazil)

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