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Centelhas de Luz - Destaque pra vocês!

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Fiocruz cria Jardim das Borboletas em Manguinhos

Iniciativa da Fiocruz, no campus de Manguinhos (RJ), faz parte do Ano Internacional da Biodiversidade, tema da 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, em Brasília.

Informe Ensp
Uma Olho de Coruja pousada sobre uma manga

Por Informe Ensp - Fiocruz

Um lugar ornamentado por plantas e interatividade, protegido por rede e habitado por dezenas dos mais simpáticos e curiosos espécimes do reino animal é o cenário do Jardim das Borboletas, no Rio de Janeiro. Com 84m² de área, o visitante pode conhecer quatro espécies de borboletas: Olho-de-coruja (Caligo illioneus), encontrada em toda a América do Sul tropical, incluindo o sul do Brasil; Ponto-de-laranja (Anteos menippe), que habita a região da América Tropical; Borboleta-Brancão (Ascia monuste), vista no sul dos Estados Unidos, México, Américas Central e do Sul e Caribe, e Júlia (Dryas julia), vista no Sul dos Estados Unidos, México, América Central e ilhas do Caribe; América do Sul ao Leste dos Andes, até o Uruguai. A entrada é gratuita.

Além disso, plantas como a palmeira-rafis (Rafphis excelsa), arbustos como camarão-azul (Eranthemum pulchellum) e dracena vermelha (Cordyline terminalis) compõem o Jardim. Esta iniciativa da Fiocruz, para visitação e divulgação científica no campus de Manguinhos, faz parte do Ano Internacional da Biodiversidade - anunciado pelas Nações Unidas (ONU) - e do desenvolvimento sustentável, tema da 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, promovida em Brasília.

Nessa aventura pelo conhecimento, a partir do universo do inseto, o já tradicional circuito de visitação do Museu da Vida (Centro de Recepção, Parque da Ciência, Ciência em Cena, Biodescoberta e Passado e Presente), inclui uma trilha sinalizada pela área verde da instituição. E monitores treinados sobre as características da borboleta ajudarão na observação do meio ambiente e da diversidade da fauna e flora local.

Ao final do programa, o público vai descobrir a diferença entre borboleta e mariposa, sobre o tempo de vida desse inseto, o que ele come, qual o segredo de suas variadas cores, como fazem para escapar dos predadores e as armas de que dispõem para sobreviver no mundo animal. O interesse que o tema desperta - como já demonstrado durante a temporada da exposição 'Insetos na Cultura Brasileira', do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), no Museu da República, no Catete, no início do ano -, foi um dos principais fatores para a realização desse trabalho no campus de Manguinhos, onde poderá despertar ainda mais atenção.

Jovens cuidarão das borboletas

A vice-presidente de Pesquisa e Laboratórios de Referência da Fiocruz, Claude Pirmez, reforça a importância de interação do público com o objeto da mostra, bem como o caráter social do 'Jardim das Borboletas'. E lembra que o local fica em frente ao Pavilhão que homenageia um especialista neste inseto.

"A exposição nos jardins do Museu da República foi um sucesso. Firmamos o compromisso de trazer o borboletário para o campus de Manguinhos, onde mais pessoas pudessem visitá-lo e experimentar aquela sensação de encantamento. Há, ainda, um cunho social no projeto, que se destaca pela transversalidade e transdisciplinaridade. A manutenção do borboletário exige uma estrutura de laboratório e jardinagem. Vamos treinar trabalhadores de jardinagem da Fiocruz e jovens da comunidade para cuidar das borboletas. É uma forma de fortalecer neles o pertencimento ao mundo da ciência. Cabe lembrar, por fim, que o borboletário ficará em frente ao Pavilhão Lauro Travassos, que foi justamente um especialista em borboletas", concluiu a vice-presidente.

Beleza na Avenida Brasil

A biodiversidade brasileira tem sido lembrada na programação do Museu da Vida. A chefe do departamento, Luísa Massarani, ressalta a oportunidade de se conhecer a flora e a fauna no campus de Manguinhos. "O Brasil é um dos países que tem a maior diversidade biológica do mundo. O Jardim das Borboletas faz parte de uma série de atividades que estamos organizando dentro do contexto do Ano Internacional da Biodiversidade, para despertar o interesse de pessoas de todas as idades sobre a importância e a beleza de nossa biodiversidade", afirmou.

Ela também sinaliza um outro aspecto: "Além disso, no contexto da Fiocruz, queremos mostrar ao público a biodiversidade do nosso campus. Afinal, poucos dos que passam pela poluída e engarrafada Avenida Brasil se dão conta da beleza que temos no campus!".

Como vivem as borboletas

Para Ricardo Lourenço, entomologista do Instituto Oswaldo Cruz (IOC) e idealizador do borboletario que integra o espaço, a oportunidade de contato direto com o inseto pode revelar futuros naturalistas. "Além da beleza e do colorido proporcionado pelos exemplares, o visitante ainda poderá acompanhar de perto a rotina desses animais, desde sua alimentação com néctar das flores até a cópula e a oviposição. O contato direto com o inseto vivo, observando sua morfologia e hábitos, pode estimular a vocação de futuros naturalistas, no caso dos jovens. Além disso, leva à reflexão sobre como a biodiversidade é importante por si só e para a preservação do equilíbrio ecológico do planeta".

A proposta segue os lemas hands-on, minds-on e hearts-on, que oferecem oportunidades aos participantes de interagirem e se engajarem intelectual, emocional e fisicamente com os temas apresentados. O objetivo é levar ao público a percepção a mais próxima possível da realidade científica, a partir da relação direta com os experimentos, fazendo dele um sujeito ativo nessa relação.

Jardim das Borboletas: funcionamento
De 31 de agosto a dezembro 2010
Avenida Brasil, 4365, - Manguinhos - RJ.
De terça a sexta-feira, de 9 às 16h30. Aos sábados, de 10 às 16 horas.
Entrada gratuita

Fiocruz/EcoAgência

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